Índios, conflitos, demarcação de terras. O que esperam os povos indígenas

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A preocupação dos povos indígenas com o seu futuro não é diferente da maioria dos brasileiros alarmados com a incerteza sobre as suas vidas, sobretudo, com a crescente escalada de violência que tem feito de vítima a sociedade brasileira.

Os conflitos envolvendo indígenas é um tema antigo no Brasil, o qual nunca foi devidamente resolvido por nenhum governo e, por isso, só fez aumentar o racismo enfrentado por essa parte da nossa população.

Sônia Guajajara, uma das principais lideranças indígenas do país, em uma entrevista à BBC, diz que até bem pouco tempo atrás os índios brasileiros eram negados, levados ao esquecimento, logo o racismo estava escondido. Hoje, o preconceito está declarado. Cabe-nos perguntar o porquê.

A causa do conflito

Com o projeto de demarcação das terras indígenas veio uma reação de representantes de setores interessados nessas terras, o que veio dar mais visibilidade e força àqueles que estavam “escondidos” e não pareciam não incomodar.

Sônia diz que os indígenas não têm qualquer problema com o pequeno agricultor e que as terras reclamadas por eles são a razão do conflito entre os latifundiários, que exigem uma vultosa indenização, e o governo, que se recusa a pagá-la, criando um falso argumento para pôr fim à solução do problema.

A lógica de vida dos povos indígenas é diferente daquela que certos setores do governo e da sociedade imaginam. Conforme explica Guajajara, a maioria quer viver uma vida tranquila em suas aldeias e almeja ter seus “territórios livres de ameaças e invasões para produzir sem destruir”, como milenarmente eles já praticam.

Temas urgentes

A terra é a urgência maior dos povos indígenas brasileiros. Embora o tema da demarcação tenha avançado bastante no Brasil nos últimos anos, praticamente todas as terras indígenas são alvo de exploração ilegal de recursos naturais, explica Sônia à BBC.

Outro tema urgente é o da violência, já que ela é uma constante na vida dos indígenas, sobretudo, no Mato Grosso do Sul, onde as aldeias são invadidas por pistoleiros, que matam os nativos dessa região.

Em São Paulo e no Sul do país, os indígenas praticamente não têm terra. A Terra Indígena Jaraguá, por exemplo, na qual vivem 600 índios, tem pouco mais de um hectare.

No Nordeste, além desses problemas, os indígenas ainda têm que lutar pelo reconhecimento de suas etnias. Nessa região, o acirramento aumentou devido ao estereótipo “indígena”, uma vez que os povos nativos de lá não teriam as características físicas associadas a esse estereótipo, levando ao equívoco de muita gente achar que eles não são índios.

Representatividade

Se, por um lado, tem havido um maior número de pessoas que se declaram indígenas, por outro, o preconceito tem aumentado, levando a episódios lamentáveis como o ocorrido em Humaitá, no sul do Amazonas, em 2013, onde aldeias foram incendiadas.

Por causa de todos esses problemas, Sônia afirma a necessidade urgente de os indígenas terem assento nas instâncias decisórias de poder. No pleito deste ano, houve o aumento de candidaturas indígenas, o que provocou como resultado a primeira indígena parlamentar ter sido eleita no Brasil. Ela tem a responsabilidade de continuar na luta dos povos indígenas e garantir que políticas públicas sejam orientadas para eles, o que representa, na verdade, um olhar para todo o Brasil.

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