Tapajós - mais uma vitória: reconhecimento de TI Munduruku e bloqueio de hidrelétrica São Luís

Tapajós

Finalmente uma boa notícia sobre o Rio Tapajós. Foi reconhecida a TI Daje Kapap E’ipi, do povo Munduruku. Tanto tempo demorou esse reconhecimento, anos à fio de luta com muito sangue derramado pelos fazendeiros e seus assassinos contratados. E outra boa notícia, o bloqueio de uma das maiores hidrelétricas que estava ameaçando todo o ecossistema do Tapajós, a Hidrelétrica São Luís do Tapajós.

Uma notícia está amarrada à outra. O projeto da hidrelétrica São Luís estava sobre parte das terras indígenas munduruku, dentro de áreas de parques nacionais de preservação o que vinha sendo documentado pela FUNAI, sem sucesso. A partir do momento em que a terra indígena é reconhecida como tal o IBAMA cancelou a licença antes expedida.

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Mas, o que é esse reconhecimento de terra indígena Munduruku? Isso acontece quando o Estado brasileiro reconhece uma área de ocupação tradicional, milenar, de um povo, de uma cultura. E mais, de uma cultura que, por seus princípios, valores ambientais, por serem os indígenas seres humanos que se entendem como pertencentes à natureza, a protegem, a preservam, cuidam da recuperação dos recursos naturais em um ecossistema fundamental á existência de seu povo e das futuras gerações. Mas, não só! Cuidam sim de um ecossistema fundamental a todos nós, humanos que distantes vivemos das matas, dos bichos, das aves do céu, dos peixes do rio mas que precisamos desses como qualquer ser humano precisa do ar que respira.

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A denúncia sobre a inconstitucionalidade do projeto da Usina Hidrelétrica de São Luiz do Tapajós também era luta antiga, fundamentada em relatórios ambientais que garantiam que, caso a usina entrasse em funcionamento seria alagado parte do território indígena, o povo que lá habita teria que ser removido de suas terras ancestrais. Por isso esse é um projeto inconstitucional. Porque é proibida a remoção de povos autóctones de seus territórios ancestrais pela Constituição Federal brasileira. Esta é a importância da publicação no Diário Oficial da República do passado 19 de Abril, do relatório que reconhece a terra indígena Munduruku, TI Daje Kapap E’ipi, ou como a chamam os não indígenas, Sawré Maybu. Uma vitória na luta pela preservação do Rio Tapajós, tão pressionado com projetos de hidrelétricas, com mineração de garimpo, com contaminação de metais pesados que os peixes estão sumindo.

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Segundo os críticos ao projeto da HD São Luís, a maior hidrelétrica de todo o Complexo do Rio Tapajós, este seria também catastrófico como o foi até o momento Belo Monte. Catástrofe que atingiria um sem fim de comunidades ribeirinhas que vivem de um rio vivo e que teriam suas áreas alagadas perdendo tudo, inclusive o rio mas que, na fala dos projetista, se justifica pela quantidade de eletricidade que seria gerada. Mas, será que seria gerada mesmo? Tantas usinas que não geram nem o 10% da sua capacidade prevista, tantos projetos de usinas que não resultam em muito mais do que morte, lágrimas, expurgo de comunidades inteiras. Não, não se justifica matar uns para benefício de outros, definitivamente isso não se justifica.

SAWE!!! Salve!!! Tapajós é um rio importante para os povos amazônicos, para os peixes da bacia do Amazonas, para todos nós que honramos as matas virgens e seus integrantes vivos, que prezamos os recursos naturais que a natureza nos oferta. SAWE Tapajós, SAWE Munduruku!

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