300 Guarani-Kaiowá reocupam área do seu tekoha Pyelito Kue/Mbarakay

Essa terra tem dono! Em um comunicado, o Conselho Indigenista Missionário (CIMI) informa que cerca de 300 indígenas Guarani e Kaiowá do tekoha – lugar onde se é – Pyelito Kue/Mbarakay reocuparam ontem, quarta-feira (16) a Fazenda Santa Rita em Iguatemi, Mato Grosso do Sul. Os indígenas, que estavam confinados a poucos hectares, tomaram essa decisão visto sua comunidade, que tem direito à sua terra ancestral já homologada, está em situação insustentável e passando fome. Nesta ação não houve confronto já que na fazenda havia apenas um funcionário.

No entanto, o tekoha Pyelito Kue possui um histórico de violências diversas sofridas pela comunidade indígena, por parte dos ruralistas que mantêm grupos armados ao seu dispor.

Em 2012, a comunidade do tekoha Pyelito Kue afirmou publicamente que preferiam morrer a deixar a terra indígena.

Em vários incidentes desde 2012 foram assassinados líderes indígenas, muitos foram feridos pelas balas dos “seguranças” dos proprietários das fazendas.

A terra indígena Pyelito Kue já teve 41.571 hectares, definidos como “terra tradicional” pela FUNAI. Na área residem 1.793 indígenas, conforme o censo Funai de 2008

A violência contra as comunidades indígenas do Mato Grosso do Sul tem aumentado consideravelmente nos últimos meses. Os Guarani e Kaiowá aguardam as demarcações de suas terras para os tekoha Ñanderu Marangatu, em Antônio João, Guyra Kamby’i, em Dourados e para Pyelito Kue, em Iguatemi, esperando tempos infindáveis, pois o processo de demarcação destas áreas, a muito homologadas como áreas tradicionais indígenas, está parado no Supremo Tribunal Federal – STF por determinação do Ministro Gilmar Mendes, que cancelou o decreto presidencial demarcatório.

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Fonte fotos: fotospublicas.com