Quem está matando os índios no Maranhão? Quem quer derrubar a floresta?

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Os índios da etnia Ka’apor estão sendo mortos no interior do Maranhão porque defendem suas áreas de reserva e mata, da sanha dos madeireiros. Trata-se das terras indígenas demarcadas do Alto Turiaçu, que abrangem 530 mil hectares e que são áreas de mata amazônica, as mais conservadas do estado do Maranhão.

No passado 26 de abril foi assassinado Eusébio Ka’apor, ex-cacique da Aldeia Ximborendá, liderança consagrada da etnia, quando viajava na garupa de uma moto. Homens encapuçados fizeram uma espera, na estrada, e dispararam-lhe pelas costas. Mais um dirigente nativo que morre no Brasil. Que esse crime não fique impune.

O Brasillidera o ranking de assassinatos de líderes camponeses e indígenas, segundo o relatório da ONG Global Witness publicado dia 20 de abril. Neste relatório foram registradas,  em 2014, no Brasil, 29 mortes, de um total de 116 que ocorreram no mundo no mesmo período. Euzébio Ka’apor não entrou nessa contagem pois foi morto poucos dias depois.

A etnia Ka’apor tomou em suas mãos, desde 2013, a defesa das suas matas e árvores, contra a entrada dos madeireiros que a fiscalização pontual do IBAMA e da polícia federal não conseguem impedir. Fechando trilhas abertas pelos madeireiros, queimando seus veículos e expulsando-os da área demarcada, são eles que têm conseguido manter o pouco de reserva de floresta amazônica que ainda resta no Maranhão. Assim vêm expulsando madeireiros e reocupando suas terras, transformando os pátios abertos pelas serrarias em áreas ocupadas por novas aldeias Ka’apor. A essas novas aldeias dão o nome de Kaar Husak Há, o que quer dizer, “áreas protegidas”.

Tomaram em suas mãos a defesa da floresta, que é base da sua vida. As castanheiras imensas que ainda por lá vicejam são preservadas pelos seus cuidados e, como conta o diretor de proteção ambiental do Ibama, Luciano de Meneses Evaristo: “Eles protegem estas áreas. Por que eu tenho hoje um milhão de metros quadrados [preservados em Terras Indígenas]? Por que o índio está lá. Se ele não estivesse lá, já tinha ido". Mas, é justamente por causa da omissão do Estado que esta situação ocorre já que, desde 2008 o Ministério Público Federal cobra ações para a solução do conflito, o que não tem acontecido.   

Para os indígenas, essa ação de defesa da mata é considerada uma missão e por ela, a missão de salvar a floresta, é que eles morrem. O próprio nome da etnia, Ka’apor, explica a motivação indígena para defender sua mata: Ka’apor que dizer 'nós somos da mata'

Em dezembro passado os Ka’apor dirigiram pedido à Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, para a inclusão de quatro dirigentes indígenas no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos. Enquanto a burocracia caminha, devagar e de costas, esses mesmos dirigentes correm constante risco de vida. O programa em questão dá escolta a lideranças ameaçadas mas, só é efetivo se a liderança ainda estiver viva.

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Fonte foto: amazonia.org.br