O Planeta Terra virou Planeta Plástico. Pesquisa revela números impressionantes

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Planeta Plástico

Muitas pessoas ainda não acreditam, mas o plástico está dominando o nosso planeta, desde o ar que respiramos, até a água que bebemos. Não é balela, ou conversa de naturalista, mas sim a realidade nua e crua que a grande maioria finge não ver. E as estatísticas não mentem!

Números impressionam

De acordo com uma publicação da revista Pesquisa FAPESP, estima-se que 8,9 bilhões de toneladas de plásticos primários e secundários foram fabricados desde 1950. Dessa quantia, 6,3 bilhões de toneladas viraram lixo e 2,6 bilhões ainda estão em uso. Essas informações foram extraídas do artigo Production, use, and fate of all plastics ever made, publicado pela revista Sciense Advances, em julho de 2017.

O estudo em questão, liderado pelo físico Roland Geyer, da Universidade da Califórnia, tem como tema principal a preocupação do impacto do plástico nos oceanos, onde mais de 8 milhões de toneladas de lixo chegam, por ano.

Além de prejudicar a vida marinha, a pesca e o turismo, as manchas de lixo que se formam estão cobrindo boa parte do Oceano Pacífico, entre Havaí e Califórnia até o Japão. Ou seja, imagine só o tamanho dessa "mancha" de lixo flutuando pelo oceano?!

O cientista ambiental Marcus Eriksen, cofundador e diretor do 5 Gyres Institute, entidade californiana com foco em reduzir o plástico dos oceanos, disse à revista Pesquisa FAPESP:

"Um dos maiores problemas é a complexidade dos plásticos existentes nos oceanos. Estamos falando de redes de pesca, dos materiais usados na fabricação de roupas, nos produtos descartáveis, nos duráveis e pellets [pequenas esferas plásticas usadas como matéria-prima pela indústria]. Cada um deles usa polímeros específicos que afetam de forma diferente o ambiente e exigem soluções próprias".

Complementando ainda:

"É até possível remover todo o plástico marinho, mas levaria tanto tempo e custaria tanto dinheiro que não valeria a pena".

De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o custo desse "prejuízo" é de US$ 8 bilhões por ano, o que faz dessa alternativa algo nada viável, segundo a pesquisa.

Mas por que a produção de plástico aumentou tanto?

De acordo com as estatísticas, em 2016 a produção de plástico foi de 396 milhões de toneladas, sendo que em 1950, quando o plástico começou a ser produzido em escala industrial, a produção foi de "apenas" 2 milhões de toneladas. Ou seja, o volume de plástico produzido no século XXI é equivalente a tudo o que foi produzido em 50 anos e se o ritmo não diminuir, em 2030 o planeta terá que dar um jeito de acomodar cerca de 550 milhões de toneladas de plástico.

O presidente da Abiplast - Associação Brasileira da Indústria do Plástico, José Ricardo Roriz Coelho, defende afirmando que:

"O plástico é um material leve, resistente e durável, que traz inovações para o desenvolvimento da sociedade […] O uso de descartáveis na área da saúde, por exemplo, evita contaminação e transmissão de doenças. No setor automotivo, ele garante redução de peso dos carros e ganho de eficiência energética. Já as embalagens alimentícias servem para aumentar a vida útil de prateleira das comidas".

Tais afirmações são sustentadas pelo engenheiro especialista em polímeros Luis Fernando Cassinelli, que também é presidente da consultoria paulista Avantec BR Participações, quando diz o seguinte:

"A sociedade estaria 200 anos atrasada se o plástico não tivesse sido inventado [...] O planeta não seria capaz de suportar a população atual e futura sem o plástico originado do petróleo. Os materiais sucedâneos, como vidro, metal ou papel, trariam problemas de outra natureza, entre eles aumento do consumo de energia ou de água".

Já o físico Munir Salomão Skaf, do Instituto de Química da Universidade Estadual de Campinas, ressalva:

"Essas mesmas propriedades fazem dele um sério agente poluidor por não se degradar facilmente no ambiente".

Skaf também é diretor de uns dos Centros de Pesquisa da FAPESP e, além de trabalhar para melhorar a degradação do plástico, ele e o pós-doutorando Rodrigo Leandro Silveira participam do projeto internacional para criar a PETase, uma enzima que torna a degradação do plástico mais eficiente.

Enquanto essa solução não é colocada em prática, as alternativas propostas são:

  • reduzir drasticamente o uso do plástico,
  • substitui-lo por materiais de fácil degradação e
  • destinar corretamente os resíduos para coleta e reciclagem.

O maior desafio dos ambientalistas está no descarte dos plásticos de uso único (copinhos, canudos, sacolas, embalagens e talheres), cuja produção atual varia entre 35 a 40% de todo o plástico produzido. O restante vai para os produtos de longa duração como celulares, peças automotivas, tubulações de água e esgoto, equipamentos médicos e de informática.

Quem constatou essa informação foi a especialista em gestão ambiental Sylmara Lopes Gonçalves Dias, da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da Universidade de São Paulo, onde ela diz:

"Descartamos uma quantidade de plásticos de uso único a uma velocidade que a natureza não consegue absorver [...] Se tivermos materiais ou mesmo plásticos que tenham maior durabilidade e não sejam jogados fora tão rapidamente, vamos reduzir bastante a escala dos produtos descartados".

Além disso, outra preocupação é com relação à origem de todo esse plástico encontrado nos oceanos. Segundo as estatísticas, 80% vem de fontes terrestres e o restante provém das atividades que os humanos realizam nos mares. Dentre as principais causas citadas pelo especialista em ecologia e conservação marinha, Alexander Turra, tem-se:

  • Contêiner que cai das embarcações;
  • Redes de pesca perdidas;
  • Lixo dos navios;
  • Ocupações irregulares no Brasil (morros e manguezais onde não há serviço de coleta de lixo).

morte plastico

Para piorar, um estudo divulgado pela ONG Fundo Mundial para a Natureza (WWF), constatou que um terço do lixo plástico produzido anualmente no mundo polui a natureza. Como consequência, estamos ingerindo nano plásticos nos alimentos e na água, sem contar nas partículas do ar que respiramos. Já parou pra pensar nisso? Nesse exato momento, você pode estar inalando micropartículas de plástico!

Brasil é o quarto maior gerador de resíduos plásticos do mundo!

Em 2016, o Brasil foi considerado o quarto maior produtor de plásticos, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, China e Índia. Conforme divulgou a Pesquisa FAPESP, 91% dos resíduos gerados no país foi coletado pelo serviço de limpeza urbana e apenas 1,28% foi encaminhado para a reciclagem. Um dos menores índices segundo a WWF, estava em torno de 9%.

Esses números são contestados pelo presidente da Plastivida, o engenheiro químico Miguel Bahiense Neto. Segundo ele:

"A base de dados utilizada pelo WWF está errada, tanto no que diz respeito à quantidade de plástico reciclada quanto ao volume de lixo produzido no país [...] O volume de plástico descartado no país corresponde a 20% do total divulgado no relatório do WWF".

A diretora de comunicação e engajamento do WWF Brasil, Gabriela Yamaguchi, defende explicando que o WWF foca nos dados coletados pelo Banco Mundial em 2016, mas que os resíduos produzidos nesse ano não se limitam aos materiais descartáveis daquele ano. Como ela mesma disse:

"Plásticos de longa duração colocados no mercado no passado serão descartados em algum momento, elevando o volume de lixo gerado naquele ano".

Independente de quem está certo ou errado, os dados não deixam mentir que é necessário investir em técnicas de reciclagem e em economia circular, um conceito fundamentado na reutilização, recuperação e reciclagem de materiais pós-uso. Quem opina é o engenheiro químico José Carlos Pinto da Universidade Federal do Rio de Janeiro, que diz:

"O Brasil tem que investir na implementação de políticas que promovam as técnicas de reciclagem e a economia circular, envolvendo todos os atores da cadeia, como grandes produtores de resinas e insumos, indústrias de transformação [que fabricam os produtos plásticos], revendedores e consumidores".

O presidente da Abiplast concorda com essa afirmação, mas lembra que esse processo enfrenta uma série de empecilhos, fazendo com que não seja lucrativo e não desperte o interesse dos envolvidos. Já os ambientalistas afirmam que a reciclagem não é a melhor solução, pois muitos desses plásticos não podem ser reciclados.

E qual a melhor solução para o problema do plástico?

Assim como sugeriu Silmara Dias, da EACH-USP, à Pesquisa FAPESP, é necessário focar em embalagens e produtos que sejam amigáveis para o meio ambiente.

"Precisamos de uma política pública que condicione os fabricantes a aprovar o design e os materiais usados em novas embalagens, antes de seu lançamento, garantindo que não tenham potencial poluidor [...] Ao mesmo tempo, é preciso investir em novas soluções, como materiais biodegradáveis de origem biológica, que a natureza consiga naturalmente regenerar", afirmou Silmara Dias à revista.

Infelizmente, a sociedade voltada para o consumo faz com que seja muito difícil viver sem plástico hoje em dia. No entanto, se mudarmos nossas atitudes, desde a compra até o descarte final, aos poucos diminuiremos a necessidade de consumir plásticos no nosso dia a dia e, como consequência, diminuiremos também o impacto que ele causa no planeta. Mas para isso, é necessário que o poder público atue. Muitas vezes faltam opões plastic free de compras.

CONCLUSÃO: a melhor solução para o problema do plástico é tentar diminuir o seu consumo, por mais difícil que seja. É optar pelos produtos embalados em papel, vidro ou alumínio, ainda que estas opções sejam poucas ou, em alguns casos, nem existam. Só assim as empresas fabricantes de polímeros verão a necessidade de buscar outras matérias-primas para atender à nossa demanda ecológica.

A mudança pode começar por cada um de nós! Claro, os governos e os tomadores de decisões podem e devem fazer muito. Somente eles podem fomentar a pesquisa e dar incentivo fiscal à produção de novos materiais, bem como de novos postos de reciclagem. Mas somos nós aqueles que devemos demandar e forçar uma mudança...URGENTE!

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