Japoneses e alemães limpam, mas onde estão os catadores oficiais da Copa?

Japoneses e alemães limpam

Com pontos a favor e contra, a verdade é que a Copa 2014 está rolando a todo o vapor, inclusive com os exemplos de civilidade de dois dos países mais ricos do mundo.

Primeiro, foram os japoneses, que, após serem derrotados pela seleção da Costa do Marfim por 2 a 1 no dia 14 de junho, saíram, na verdade, com um troféu: o da torcida mais sustentável. Isso porque, ao deixarem a Arena Pernambuco, muitos dos torcedores nipônicos presentes, tiraram seus sacos de lixo dos bolsos e começaram a fazer a limpeza dos assentos do estádio.

Depois, foi a vez dos alemães seguirem o exemplo. No dia 16 de junho, recolheram copos de bebida das areias de Copacabana – local de uma das Fifa Fun Fest, reduto de comemoração e entretenimento de torcedores ao longo do mundial. Não satisfeitos, recolhiam o lixo de outros presentes e os encorajavam a fazer o mesmo.

Atitudes positivas à parte, em ambas as situações, no estádio e na praia, com tanta sujeira, vem à tona a pergunta: onde estariam os catadores de lixo oficiais do evento?

Catadores de lixo ocultos

Com treinamento dado pela multinacional de refrigerantes Coca-Cola, 840 catadores de papel profissionais foram selecionados, a fim de trabalharem recolhendo resíduos nas 12 arenas em que estão sendo realizados os jogos da Copa do Mundo. Onde estariam esses profissionais, então?

Dados oficiais sobre catadores de lixo

Em geral, esses profissionais foram alocados na limpeza da área externa das arenas e das festas oficiais para as torcidas.

Seis cidades-sede foram contempladas com R$ 2,3 milhões do Ministério do Meio Ambiente (MMA), permitindo a atuação dos catadores em Belo Horizonte, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Natal e São Paulo.

Esses recursos foram usados, de acordo com o plano definido para cada cidade, em capacitações, remuneração, aquisição de uniformes e equipamentos de proteção, alimentação e transporte dos catadores, logística para transporte do material coletado e divulgação das ações de coleta seletiva solidária.

Segundo a analista ambiental do MMA, Mariana Alvarenga, acompanhando a ação dos catadores em SP, na abertura da Copa, se verificou um trabalho muito bem organizado, tanto do ponto de vista do projeto, quanto das cooperativas. “Os catadores estão tendo visibilidade e chamando atenção para o tema dos resíduos sólidos”.

Mas não foi bem isso que a mídia destacou. O que bombou nas redes foram os japoneses e os alemães fazendo a limpeza no Brasil!

Estranho, não é verdade? Será que os recursos do Ministério do Meio Ambiente foram aplicados de maneira ineficiente? Pode ser, visto que a intenção era dar o exemplo e gerar renda (os resíduos seriam entregues nas cooperativas de reciclagem para venda).

Talvez fosse o caso de fazermos placas em várias línguas: "obrigado por ajudar a manter o país do futebol limpo, deposite aqui o lixo que você recolheu e contribua para a renda dos nossos catadores profissionais" :)

Fonte foto: jornalrondoniavip.com.br