Empreendedorismo solidário

Empreendedorismo solidário

Uma recente pesquisa da Global Entrepreneurship Monitor (GEM) mostrou que o Brasil está em primeiro lugar no ranking do empreendedorismo no mundo. Três em cada dez brasileiros entre 16 e 61 anos de idade sonham em ter seu próprio negócio, e muitos conseguem. Algumas pessoas enxergam a possibilidade de empreender como uma chance de ganhar dinheiro e também em ajudar quem mais precisa.

Não é a primeira vez que falamos sobre a possibilidade de abrir seu próprio negócio, ganhar dinheiro e ainda por cima ajudar as pessoas, como é o caso de Milena de Barros, que faz muito sucesso com seus bordados em Goiás Velho.

Hoje falaremos de Maria de Las Gracias, criadora de uma clínica móvel de fisioterapia para as pessoas de baixa renda no Rio de Janeiro. A fisioterapeuta de 55 anos de idade, investiu 150 mil reais na compra de um ônibus e o adaptou para realizar seu trabalho de fisioterapia móvel. O dinheiro foi captado graças as vendas de seu carro e um terreno que Maria possuía no ano de 2007.

A ideia começou a tomar corpo nas viagens em que Maria trabalhou como voluntária em países com população em situação de risco como Nepal e Índia, antes mesmo de se formar no curso superior, quando era atuava como terapeuta holística e fazia, principalmente, massagens. Ela classifica a experiência como uma “troca” em que ela ajudava as pessoas carentes e elas ofereciam informação sobre a cultura e costumes locais.

Quando retornou ao Brasil, decidiu fazer um curso de fisioterapia e, desde o início, já tinha a ideia de criar uma clínica na periferia, mas não pôde por causa dos altos custos para manter uma clínica assim, o que fez Maria ativar uma qualidade fundamental para todo empreendedor, a criatividade, surgindo assim a clínica móvel.

Cada atendimento no ônibus custa 28 reais por meia hora. Pessoas que não têm condições de pagar, recebem consulta gratuita ou pagam quando puderem. Se pudesse, Maria nem cobraria nada, mas a manutenção do ônibus e os custos da clínica, como o pagamento dos outros profissionais que nela atuam, tornam a cobrança necessária.

O ônibus funciona em todos os dias da semana, exceto domingos e feriados, porém, Maria só atua nas segundas, terças e quintas, e deixa a clínica no resto da semana aos cuidados de outras três fisioterapeutas contratadas. Nos dias em que está ausente, a fisioterapeuta trabalha com pacientes particulares em sua residência, dinheiro que é também fundamental para manter o ônibus funcionando.

O itinerário é feito nas regiões do Grajaú e de Interlagos, onde 50 pacientes são atendidos todos os dias, totalizando 70 mil atendimentos em mais de nove anos de trabalho, segundo estatística feita pela própria empreendedora.

Ela fala que gostaria de ajudar ainda mais a população, e que já tentou até colocar psicólogas e nutricionistas, além de expandir sua área de atuação, infelizmente, foi impossível arcar com os custos.

Mas Maria não desiste e diz que um dia sonha oferecer os serviços de um advogado para auxiliar e orientar a população. Quem sabe se alguma grande empresa ou investidor decide aplicar dinheiro e ajudar esta empreendedora a expandir este importante trabalho?!

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Fonte foto: revistapegn.globo.com