Maior reservatório de água do Nordeste sofre com seca histórica

Primeiro aconteceu com o Sistema Cantareira, o maior reservatório de água do estado de São Paulo a atingir a reserva técnica ou, como é mais conhecido, o “volume morto”, por causa da seca local, ainda no ano de 2014. Em seguida foi a vez do reservatório Paraibuna, o maior de quatro no Rio de Janeiro, a atingir o volume morto no começo deste ano. E chegou a hora do maior reservatório do Nordeste, a Barragem de Sobradinho, passar por uma das piores secas de sua história, afetando o abastecimento de várias cidades, a geração de energia elétrica e aumentando a preocupação dos agricultores que utilizam a água da barragem para irrigar suas plantações de frutas.

A Barragem de Sobradinho ainda não chegou ao volume morto como os demais, mas está próximo disso. Nessa semana, dia 16, a barragem atingiu 2,5% de seu volume útil. Nunca antes a quantidade de água ficou tão baixa no maior reservatório nordestino, que possui capacidade máxima de 34,1 bilhões de metros cúbicos de água, valor correspondente a 58% de toda água utilizada para geração de energia no Nordeste.

E o pior, o índice cai todos os dias. Neste mês, mais precisamente no dia 10, estava em 2,9% e a estimativa é de que a queda continue.

“A barragem de Sobradinho é usada para tudo. A nossa principal preocupação sempre foi fazer com que a água do reservatório atenda às necessidades no maior tempo possível. Mas, hoje, estamos dependendo da chuva”, disse o diretor de Operações da Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), José Aílton de Lima.

Volume morto e a geração de energia elétrica

Com tantas atividades, o volume morto deve ser atingido até o fim deste mês, começo de dezembro, no máximo.

Quando isso acontecer, a barragem deixará de servir para geração de energia. Porém, não há risco de racionamento de energia no Nordeste, pois existem fontes alternativas de energia, térmicas e eólicas, por exemplo, e ainda transferência de energia produzida em outros estados por meio das linhas de transmissão.

Quem garante isso é o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), que mencionou também o fato de que os reservatórios da Bacia de São Francisco estão sendo utilizados para outros fins que não geração de energia, com o intuito de manter a população abastecida em todas as frentes.

Redução da vazão

Assim como aconteceu nos reservatórios de São Paulo e do Rio, a Agência Nacional de Águas (ANA) determinou a redução da vazão do Sobradinho para 900 metros cúbicos por segundo (m³/s). A ANA estuda reduzir a vazão para 800 m³/s.

Ação essa que deve prejudicar, em breve, a irrigação das plantações de frutas no Distrito de Irrigação Nilo Coelho, o maior das áreas irrigadas, com mais de 2 mil empresas utilizando o sistema e gerando capital de 1,1 bilhão de reais anualmente.

“A previsão é que até o fim do mês a gente chegue a uma cota em que não seja possível mais captar água. Algumas culturas, como a uva, não sobrevivem durante muito tempo sem a irrigação. Se isso acontecer, os prejuízos serão milionários. Além disso, mais de 130 mil pessoas usam esse sistema para consumo”, afirma o gerente executivo do Distrito de Irrigação, Paulo Sales.

Obras sobre a responsabilidade do Ministério da Integração Nacional estão em andamento para tentar reduzir o problema da falta de irrigação.

Abastecimento

No aspecto abastecimento de água para a população, as comunidades ao redor de Sobradinho já estão sendo abastecidas com caminhões-pipa.

E a situação é tão complicada que ruínas antes abaixo do nível das águas começam a ressurgir com a seca do reservatório.

O mais revoltante é que, assim como aconteceu em São Paulo, todas as “ideias brilhantes” sobre “pacto das águas” e melhor utilização dos recursos hídricos, só surgem agora, quando a situação chegou em um nível crítico.

A verdade é que agora só São Pedro pode resolver o problema do Brasil, porque os nossos governantes conseguiram a proeza de deixar quase sem água um parte cada vez maior da população do país com 12% de toda a água doce do planeta. Um feito!

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Fonte foto: fotospublicas