Gelo para as comunidades isoladas da Amazônia

O tema pode causar estranheza à primeira vista para as pessoas que não conhecem a realidade de algumas regiões do estado do Amazonas. Afinal, por que estes lugares precisariam de gelo? Simples, existem muitas comunidades isoladas da Amazônia que não possuem acesso à energia elétrica e, portanto, têm grande dificuldades para conservar seus alimentos, grande parte produzidos por eles mesmos e que servem também como fonte de renda.

Agora, uma tecnologia inovadora promete ajudar os habitantes dessas regiões a melhorar suas qualidades de vida e aumentar suas rendas. Trata-se da instalação de máquinas de gelo feitas pelo Instituto Mamirauá, cujo funcionamento é garantido pela energia solar.

A tecnologia foi desenvolvida no Projeto Gelo Solar pelo Instituto de Energia e Ambiente da Universidade de São Paulo (IEE-USP).

"Esse é um dos diferenciais do projeto: transformar a radiação solar diretamente em gelo. Quando o sol nasce, a central já começa a gerar energia e automaticamente a máquina liga. Quando o sol se põe, a máquina desliga. Essa ideia é resultado de uma tese de doutorado na USP e agora a gente está conseguindo levar para o campo. Saiu da academia e agora chegou na comunidade", disse o pesquisador Aurélio Souza.

As primeiras três máquinas foram colocadas na comunidade de Vila Nova do Amanã, no município de Maraã, que já começou a sentir os benefícios com a produção de gelo na própria comunidade. As máquinas possuem capacidade para produzir até 90 quilos de gelo por dia.

O Projeto Gelo Solar foi o finalista do Desafio de Impacto Social Google Brasil e recebeu o prêmio de R$500 mil, permitindo que o Instituto Mamirauá que já está ajudando mais de 60 moradores da comunidade.

Antes das maquinações, os moradores da comunidade (e de muitas outras) precisam viajar até 15 horas de barco para vender seus produtos nos centros urbanos, gastando muito dinheiro pelo gelo que as embarcações vendem e diminuindo consideravelmente os lucros dos produtores. Com a máquina, a tendência é que as perdas caiam e as receitas aumentem.

O Instituto Mamirauá irá promover uma oficina com os moradores da comunidade para promover o uso da máquina até o final de setembro.

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Fonte foto: portalamazonia.com