Rio: cidade maravilhosamente poluída

Rio de Janeiro muito poluída

Pesquisadores da Universidade do Estado do Rio de Janeiro empreenderam estudos e verificaram resultados alarmantes, a partir da análise do ar da capital fluminense.

Os experimentos ocorreram no Túnel André Rebouças – que é o maior do país – e na Avenida Brasil e, em ambos os pontos, foram constatadas altas concentrações de poluentes; até 6 vezes mais do que o recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Como são dois locais de altos contingentes de pessoas em circulação, as mesmas acabam tendo contato com esses poluentes, que podem causar uma série de doenças – como de pulmões ou sistema respiratório – e até mesmo mutações orgânicas, que podem levar ao câncer.

A classe trabalhadora que precisa permanecer em qualquer um desses dois locais ainda sofrem mais, pelo contato prolongado com tais gases poluentes.

A pesquisa

Os cientistas lançaram mão de um filtro que consegue fazer uma captação perfeita até mesmo das menores partículas de poluentes. Assim, colocando-o em ambos os ambientes, ainda colocou um terceiro filtro na própria UERJ, com a finalidade de comparação.

As partículas captadas chegam a menos de 2.5 micrômetros de diâmetro, ou seja, o tamanho de uma mísera bactéria. Chegam até a conseguir penetrar nos alvéolos pulmonares, indo diretamente à corrente sanguínea.

Substâncias resultantes

Foram muitas as substâncias colhidas a partir do experimento, mas o destaque vai para nitro-hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (NHPA) e hidrocarbonetospolicíclicos aromáticos (HPA), ambas capazes de alterar o código genético humano e as anomalias acabam por contribuir para a ocorrência de quadros diversos, que podem ser desde uma asma, até câncer.

Segundo a OMS, a concentração de poluentes máxima, segura à saúde humana é de 25 microgramas por metro cúbico (µg/m3). Nos dois pontos da cidade do Rio analisados, foram de 140 µg/m3 – na área do Túnel Rebouças; possivelmente por ser um ambiente fechado, sem circulação de ar.

Risco à saúde humana

Os estudiosos ainda desdobraram a análise, fazendo exames em pessoas que trabalhavam nessas regiões, com a finalidade de perceber quais os danos causados à saúde das mesmas.

Os testes, sobretudo de sangue e urina, mas também de saliva que era coletada após duas horas de exposição aos gases, revelaram que os trabalhadores já estavam sofrendo as mutações genéticas características desses poluentes. Para esse conjunto de pessoas, além de ser oferecidas melhores condições de trabalho – e uma remodelação do trânsito carioca – devem estar munidas de máscaras especiais, que filtrem as partículas microscópicas, impedindo-as de atingir o sistema respiratório.

Leia também: RJ: lagoas seriam recuperadas sem certificação de segurança ambiental

Fonte foto: wikipedia.org