Povos e Biodiversidade: Feira de produtos artesanais, de 18 a 21 de agosto, Rio de Janeiro

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Abriu ontem (19), no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, a Feira dos Povos e da Biodiversidade do Brasil. O objetivo deste evento é mostrar a enorme diversidade cultural e biológica que há no nosso país e, nas palavras de Juliana Simões, Secretária Interina de Extrativismo e Desenvolvimento Rural Sustentável do MMA, “valorizar a biodiversidade e os povos e comunidades tradicionais que a usam é a melhor maneira de conservá-la para esta e para as próximas gerações”.

No evento, estão representados os sete biomas brasileiros - Amazônia, Caatinga, Cerrado, Costeiro e Marinho, Mata Atlântica, Pampa e Pantanal - apresentados por associações, cooperativas ou redes de comercialização ligadas às populações tradicionais: indígenas, quilombolas, pantaneiros, povos de matriz africana e de terreiro, extrativistas e pescadores artesanais, dentre outras

A feira, aberta ao público, é o lugar certo para você, que está pelas bandas do RJ, conhecer, provar e comprar produtos de origem sustentável como: macarrão e azeite de castanha do Brasil; queijo do serro, café certificado pelo Fair Trade (comércio justo); bio-jóias, fruteiras e panelas em argila branca; geleia de umbu e de maracujá da Caatinga; açafrão do município goiano de Mara Rosa; paçoca de castanha do baru; farinha de mandioca produzida por famílias ribeirinhas do rio Juruá (AM).

Nos dias 19 e 20, a Feira dos Povos e Biodiversidade fará uma apresentação especial, no Boulevard Olímpico, Praça Mauá, onde está a Casa Brasil, um espaço especialmente montado para a promoção da imagem do nosso país durante os jogos olímpicos. Na Casa Brasil ocorrerão debates organizados pelo MMA, sobre a questão do reconhecimento dos povos e comunidades tradicionais como atores da preservação ambiental brasileira, um dos objetivos mais profundos deste evento.

O que dizem os participantes da Feira dos Povos?

“A exposição é muito boa para representar as comunidades indígenas do sudoeste do Pará. Vai mostrar para o mundo os nossos produtos e que o artesanato kayapó está fazendo para a gente continuar”.

“É uma oportunidade que vai dar para a gente”, disse Kokoró Kayapó, um dos expositores dos artesanato Kayapó, do Pará, cujo povo apresenta cestos de palha, vassouras, camisetas, pulseiras e colares de miçangas com desenhos característicos Kayapó, em ação integrada no Projeto Produtos da Sociobiodiversidade Kayapó desenvolvido em oito aldeias na floresta amazônica.

“O nosso desafio é crescer o número de mulheres porque a cooperativa está crescendo e tendo uma demanda que às vezes a gente nem consegue atender. Se for uma demanda muito grande e, dependendo do prazo, a gente não consegue, porque o número de bordadeiras não é suficiente para produzir. É um trabalho muito lento, não dá para comer com ele. E também o objetivo não é fazer as pessoas morrerem de trabalhar”, disse Selma Grace de Oliveira, presidente da Cooperativa Bordana, do Conjunto Caiçara de Goiânia. A Cooperativa Bordana reúne 30 bordadeiras que hoje desenvolvem belíssimos trabalhos, dos mais diversos bordados (como diz também Selma, até lençóis e toalhas em algodão egípcio, que levam mais de 500 horas de trabalho para serem concluídas). A feira é uma boa possibilidade de divulgação deste trabalho detalhista e do empenho das bordadeiras que, quando a cooperativa foi organizada sequer sabiam bordar.

“A baiana só vendia de coco e de amendoim. Eu como pesquisadora e acho que a gente tem que abrir mais o leque, fiz de nozes, de goiaba, de maracujá, de café, estou expandindo e mostrando o que nossas raízes e religião nunca teve oportunidade de ser divulgado”, é o que conta Rosa Vidal, coordenadora da Acbantu - Associação Cultural do Patrimônio Bantu, que tem mais de 3 mil integrantes organizados. A Acbantu apresenta suas cocadas baianas que hoje já têm sabores diferenciados como maracujá, gengibre e nozes.

Alguns dos produtos apresentados na Feira da Biodiversidade:

CAFÉ: da Cooperativa de Produtores de Café Especial de Boa Esperança organização que, com 191 associados produz 900 kg ao mês de café de qualidade superior.

QUEIJO: da Associação dos Produtores Artesanais de Queijo do Serro que, com 117 associados, apresenta na feira 300 kg de queijo artesanal cuja forma de produção, a mesma utilizada há 300 anos, é um bem cultural imaterial consagrado pelo Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), como o queijo de leite cru muito procurado por suas características específicas, produzido em 11 municípios mineiros.

AÇAFRÃO: da Cooperativa dos Produtores de Açafrão de Mara Rosa (Cooperaçafrão), com 200 produtores, cujos produtos correspondem a 90% da produção goiana de açafrão, a cúrcuma, de qualidade tal que os torna os mais competitivos do mercado.

PRODUTOS DIVERSOS: da CooperFrutos, do município de Alto Paraíso (GO), com 316 associados em sua maioria mulheres, quilombolas, calungas e extrativistas que apresentam desde tapeçarias, peças de argila branca, paçoca e rapadura de baru, dentre outros.

Ou a Cooperativa dos Agricultores do Vale do Amanhecer (Coopavama) do Mato Grosso que, com seus 69 associados apresenta produtos feitos com castanha do Brasil - farinha, barrinha de cereais, macarrão, azeite e muito mais. O macarrão de castanha já é preferido dos que buscam o balcão da Coopavama, como conta “Durante o último evento que participamos, os Jogos Mundiais Indígenas, foi o produto que mais vendeu, esgotando o nosso estoque. Em todas as feiras que participamos, nosso estande fica conhecido como o point do macarrão de castanha do Brasil”, conta Paulo César Nunes, coordenador geral do projeto Sentinelas da Floresta da Coopavama e acrescenta que “nossa expectativa para esse evento é grande. Este é o nosso primeiro evento internacional. Acreditamos que um público como este, das Olimpíadas, tem a consciência exata do valor nutricional de um produto orgânico como a castanha do Brasil e abertura para entender que, por trás deste produto,existem histórias de vidas de pessoas que estão protegendo e ajudando na conservação do meio ambiente”.

Especialmente indicado para você:

INSTITUTO DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL PRODUZ E VENDE CAFÉ ORGÂNICO

CAPIM DOURADO, RIQUEZA GENUÍNA BRASILEIRA

ARTESANATO COM PRODUTOS DA MATA BRASILEIRA: É PRECISO CRIAR REGRAS!

Fontes: Agência Brasil  e JBRJ