Abastecimento de água em São Paulo continua em risco

Abastecimento de água em São Paulo continua em risco

E a situação envolvendo o abastecimento de águas para a população de São Paulo continua crítica. E a história, que se arrasta desde o começo de 2014 ganha novos personagens, uma vez que até mesmo a chefia da Agência Nacional de Águas comunica que São Paulo precisa restringir seu consumo de água, para que não seja necessária a falta efetiva d’água.

E tende a ficar pior se o tempo não mudar em São Paulo. Há a possibilidade de o nível das represas do sistema Cantareira, hoje em 14 %, simplesmente seque até a próxima época das chuvas no estado – por volta do mês de novembro.

Há ainda toda a discussão entre os estados do Rio de Janeiro e São Paulo, a fim de que o primeiro divida com o segundo, porções do rio que o abastece – o Paraíba do Sul, para afastar o risco de racionamento para o povo paulista.

Esse cenário expõe todo um problema na gestão pública dos recursos naturais, em nosso país. Vejamos o porquê: Quem é responsável pelo abastecimento em São Paulo? A Companhia de Saneamento Básico do Estado – Sabesp. Essa empresa, que é parte controlada pelo Estado, parte por acionistas, chegou a distribuir, no período entre 2004 e 2013, um montante de R$ 4,8 bilhões... para os referidos investidores. Em contrapartida, não cumpriu suas diretrizes oficiais, atreladas à outorga do sistema Cantareira à companhia.

Quais eram as metas? Somente três:

* Reduzir a dependência do abastecimento do sistema Cantareira, diversificando as fontes hídricas;

* Diminuir as perdas de água em transporte, coleta e distribuição;

* Ampliar o saneamento, ou seja, coleta e tratamento de esgoto.

Além de os investimentos terem sido abaixo de qualquer expectativa, temos um dado concreto e alarmante: de um total de 3 trilhões de água que são captados ao longo de um ano, há uma perda de cerca de 750 bilhões de litros em toda sorte de vazamentos, no processo de distribuição.

Tudo isso, mesmo que a Sabesp desfrute de um faturamento de R$ 11 bilhões por ano, devido à arrecadação das tarifas repassadas à população... que não conta com um serviço adequado, para dizer o mínimo. Como se não bastasse chegarmos à tal conclusão, a empresa ainda despeja esgoto sem qualquer tratamento nos próprios rios e córregos de todo o estado, reduzindo – e muito – suas reservas de abastecimento, que seriam muito úteis para momentos como o atual.

E você morador de São Paulo? O que pensa a respeito do abastecimento de água e o saneamento que são oferecidos a você?

Fonte foto: wikipedia.org