Enquanto a crise hídrica se agrava, grupo protesta plantando árvores

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Apesar de o nível da maioria dos reservatórios que abastece a Grande São Paulo ter subido, dentre as exceções está justamente o principal, que atualmente abastece a 6,5 milhões de pessoas (antes do início da crise hídrica, eram 8,8 milhões): o Cantareira, que chegou a 6,9% de sua capacidade hoje (18), já consideradas duas cotas do volume morto.

O Alto Tietê, do qual dependem 4,5 milhões de pessoas na região leste da Grande São Paulo, também em queda, chegou a 4,1% de sua capacidade neste domingo. Porém, uma revisão no cálculo do volume disponível do sistema, permitiu a alteração do nível das represas do Alto Tietê para 10,7% nesta segunda-feira (15), com a descoberta de 40 bilhões de litros de água e a autorização de seu uso pelo Departamento de Águas e Esgotos (DAEE). Hoje (18) esse sistema está com 10,5% de sua capacidade.

Para se ter uma ideia melhor da severidade da seca, há mais de oito meses que o sistema Cantareira não tem um aumento natural em seu nível de água. Na comparação do nível diário de seus reservatórios, a última vez que isso ocorreu sem o bombeamento de água do volume morto foi em 16 de abril. Na comparação mês-a-mês, não há aumento no nível de água desde abril de 2013.

Com a intenção de chamar a atenção para uma das causas desse problema, bem como para o que se afigura ser uma das mais importantes soluções a longo prazo, um grupo de pessoas se reunirá amanhã (19) para plantar 500 mudas de árvores em uma Área de Preservação Permanente em Parelheiros, na zona sul da cidade.

O grupo, mobilizado pelo Instituto Kairós e pelo coletivo Muda SP, se reunirá na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (ALESP) às 8h, também para protestar contra a proposta de flexibilização da legislação ambiental no estado, que teve aprovação na ALESP e seguirá para sanção ou veto pelo governador Geraldo Alckmin. A proposta, se sancionada, afrouxará inclusive as regras que protegem a vegetação às margens de rios e represas.

Após o ato, está planejado para que um grupo de 50 pessoas siga às 9h30 para Parelheiros, com as 500 mudas de plantas nativas. Serão plantadas árvores como tamboril, araçá e jacarandá no reflorestamento, com o objetivo de prevenir o assoreamento de cursos d'água nessa área de mananciais. As mudas foram doadas pela Casa de Agricultura de Parelheiros, privilegiando-se as de rápido crescimento, que assim favorecem o sombreamento de árvores de crescimento mais lento.

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Fonte foto: Jon rawlinson via flickr