Unesco busca estabelecer Patrimônio Mundial para Alto Mar

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Não estamos falando, aqui, dos mares nacionais. Esta proposta da UNESCO se refere às águas de todos razão pela qual a ONU precisa do apoio internacional para poder estabelecer áreas de proteção da biodiversidade e vida designando “Áreas Marinhas de Patrimônio Mundial”.

Isso quer dizer, é preciso aumentar, expandir, consagrar, mais zonas de preservação marinha em alto mar, em áreas internacionais, para que se possa pensar em preservar a biodiversidade oceânica. O projeto propõe designar áreas destas em dois terços dos mares do mundo, fora de áreas marinhas continentais.

"Assim como em terra, o oceano mais profundo e mais remota abriga lugares globalmente únicos que merecem reconhecimento", reza a introdução ao relatório apresentado à UNESCO na semana passada por Mechtild Rössler, diretor do Centro do Patrimônio Mundial.

Em 1972, a Convenção do Patrimônio Mundial, ratificada por quase 200 países, inclui uma lista de mais de 1000 locais com valores especiais, de interesse internacional dos povos como: lugares, obras ou áreas de especial significação cultural, história ou ambiental. Estão nessa lista o Taj Mahal da Índia, por exemplo e, áreas naturais, como o Parque Nacional Serengeti, na Tanzânia. Também estão na lista 47 áreas marinhas nacionais já designadas, dentre as quais, as Ilhas Galápagos do Equador e a Grande Barreira de Coral da Austrália. Mas, no acordo não foram previstas áreas fora de jurisdição nacional, ou seja, as áreas internacionais, de interesse e responsabilidade de todos - o mar aberto, as profundezas.

O relatório sobre Proteção aos Mares identifica cinco mares locais  que, se acredita, poderiam ser objeto da denominação de Patrimônio Mundial. São esses: uma região do Oceano Pacífico, conhecida como “domo térmico”, em frente a Costa Rica, onde habitam ou desovam muitas das espécies ameaçadas de extinção; uma região, no Pacífico Norte, onde habitam os grandes tubarões brancos; o Mar dos Sargaços, no Oceano Atlântico, região especialmente povoada de algas; os vestígios submersos de Atlântida, área de acumulação de fósseis raros; o Campo Hidrotermal da Cidade Perdida, no Atlântico, Maciço de Atlantes.

Segundo os estudos preliminares da UNESCO, a situação de degradação ambiental e ameaça, nos mares e ecossistemas marinhos é a seguinte:

Em mar aberto:

  • 60% dos recifes coralinos do mundo estão ameaçados pelas atividades locais
    90% de todos os recifes de coral poderão ser ameaçados fortemente até 2030, pela pressão combinada de atividades locais e mudança climática
    Existem 100 acordos internacionais para os oceanos e mares, ou seja, uma grande fragmentação e, na realidade, pouca efetividade de proteção

Para os grandes ecossistemas marinhos:

  • 64 dos 66 grandes ecossistemas marinhos sofrem consequências graves pelas variações de temperatura das águas oceânicas - aquecimento excessivo no Atlântico Noroeste e Nordeste e no Pacífico Ocidental, medidos desde 1957
    28% dos projetos de pesca no Mar da Sibéria Oriental colocam em sério risco a sobrevivência do potencial piscatório marinho
    50% da população de peixes, nos oceanos, está ameaçada de sobrevivência, reprodução e continuidade, portanto, em risco iminente de extinção

As áreas marinhas internacionais, como as descritas acima, ainda não podem gozar do reconhecimento e proteção da Convenção da UNESCO pois, somente os estados podem propor a inclusão destas na lista de áreas Patrimônio Mundial e, em mar aberto, estados também não têm jurisdição.

"São zonas expostas a ameaças como a contaminação ou o excesso de pesca, pelo que é fundamental mobilizar a comunidade internacional para garantir a sua preservação a longo prazo", comentou Dan Laffoley, assessor principal de Ciências Marinhas e Conservação da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN), coautora do relatório.

Portanto, este relatório visa a conscientização e mobilização para que os estados, em bloco, proponham as áreas marinhas a serem protegidas, pelo bem da vida, em geral.

Parece melodramático mas, na verdade, não o é: é sim, porém, pura realidade. Só imagine se o mar, os mares, deixarem de produzir vida. Imaginou?

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