Estrelas-do-mar em risco

Estrelas-do-mar em risco

Há algo de intrigante no reino do fundo do mar: cientistas estão surpresos com um tipo de vírus, de origem misteriosa, que tem matado estrelas-do-mar aos milhões. A grandiosa epidemia tem atingido, sobretudo a costa do Pacífico, indo desde o Alasca até o México.

Com isso, a população desses animais marinhos vem se reduzindo, de forma drástica. E o pior: esse vírus pode chegar a outros pontos do globo. A primeira vez que a doença foi percebida, ocorreu em junho de 2013.

Sintomas da doença

A estrela-do-mar doente fica totalmente coberta de lesões esbranquiçadas. Em seguida, os órgãos internos desse animal são literalmente expelidos e a estrela perde seus braços e pernas e acaba morrendo. São mais de 20 as espécies suscetíveis à ocorrência.

Em um período de 12 meses, a doença migrou, alastrando-se até o norte, chegando ao Canadá e ao Alasca, além de também ao sul, com Califórnia e México.

O quadro é tão grave, que aquários abastecidos por água do mar também sofreram contaminação. Em Seattle, quase 100% das estrelas do mar do grande aquário local, foram dizimadas. Certos casos foram analisados na Costa Leste dos EUA, levando à conclusão de que o vírus já está no Oceano Atlântico.

Causas do fenômeno

Os cientistas, atualmente, tendem a desconfiar de um vírus, que já havia sido encontrado em estrelas-do-mar capturadas há 7 décadas, guardadas em museus. O grande mistério é o seguinte: se já existia, porque o vírus se tornou fatal apenas agora? É aí que os cientistas tentam montar o quebra-cabeças, acreditando que o vilão pode ser o nosso velho conhecido: aquecimento global. Essa hipótese é a mais crível, porque, segundo os cientistas, há um aumento da temperatura das águas, acompanhado do crescimento da acidez dos oceanos. Em um experimento, foram tomadas algumas estrelas do mar – a ponto de se desintegrar em uma temperatura de 12º C – e foram transferidas para tanques resfriados – a 10º C. O resultado foi a cura dos animais.

Além disso, a acidez já foi comprovada como um fator que enfraquece estrelas-do-mar, retirando sua proteção natural e as expondo às doenças. Os mares e oceanos eram, historicamente, alcalinos, mas isso vem se modificando nos últimos tempos, com o aumento da acidez desses ambientes.

E se a estrela-do-mar desaparecer?

Outra questão séria é o risco de extinção de estrelas-do-mar. Em experiências anteriores, verificou-se que, sem estrelas-do-mar, as espécies de animais marinhos diminuem quase à metade, pois as estrelas marinhas são fundamentais para a manutenção do equilíbrio da biodiversidade dos oceanos e mares.

O ponto positivo é que a extinção de estrelas-do-mar é uma possibilidade remota. Mesmo nas áreas afetadas, não houve uma eliminação total dos organismos, mas sim, apenas as maiores. As menores permanecem vivas. Dessa forma, um processo de ‘seleção natural’ pode levar as mais resistentes a permanecer, se reproduzir e recuperar a espécie.

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Fonte foto: freeimages.com