As destemidas vovós mergulhadoras que vivem entre cobras venenosas

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the fantastic grandmothers

Nada de crochê ou de passar horas em frente à televisão: sete vovós da Nova Caledônia, desconstruindo todos os clichês sobre a velhice, resolveram incrementar o cotidiano com uma dose extra de emoção e passam os dias mergulhando em prol da ciência. 

O grupo de mulheres, que rendeu uma reportagem do The Guardian publicada ontem (24), autodenomina-se "the fantastic grandmothers" (as fantásticas vovós). O nome não poderia ser mais adequado: segundo o jornal britânico, as integrantes têm entre 60 e 75 anos, nadam mais de 3 quilômetros por dia, cinco vezes por semana e vivem no fundo do mar fotografando cobras venenosas, contribuindo com o trabalho de dois pesquisadores dedicados ao tema.

Meio que por acaso, elas descobriram uma numerosa população de cobras marinhas na Baie des Citrons, em Noumea. Desde então, trabalham na catalogação e observação dos hábitos alimentares desses animais, desempenhando, assim, um papel fundamental na compreensão do ecossistema. Na verdade, as fotos produzidas pelo grupo mudaram a visão dos cientistas em relação ao assunto. Antes das vovós entrarem em ação, acreditava-se que as espécies eram raridade naquelas águas.

Claire Goiran, da Universidade da Nova Caledônia, e o professor Rick Shine, da Macquarie University, da Austrália, estudavam uma espécie pequena e inofensiva conhecida como "cobra marinha de cabeça de tartaruga", presente na Baie des Citrons. Ocasionalmente, encontraram uma cobra venenosa de 1,5 metro de comprimento, também conhecida como "cobra marinha de cabeça verde-oliva".

Para a dupla de pesquisadores, a presença da cobra maior tratava-se de anomalia, uma vez que só havia sido avistada por seis vezes em 15 anos, em uma baía onde as pessoas costumam nadar. Mas, com a pulga atrás da orelha, a partir de 2013 eles resolveram olhar a situação mais de perto.

Em suas incursões nas águas da baía, Claire Goiram costumava encontrar a amiga Aline Guémas, que mergulhava e fotografava os mesmos arrecifes e passou a enviar suas à pesquisadora por e-mail.

Satisfeita por poder contribuir com a ciência, Aline chamou uma vizinha para ajudar, que chamou uma amiga, que chamou outra e, de repente, elas eram sete mulheres dedicadas ao trabalho, o que possibilitou um novo olhar para a questão. Goiran e Shine perceberam que haviam subestimado a população desses animais na região.

Graças à dedicação das vovós, Goiran e Shine publicaram um artigo na revista Ecosphere, revelando a existência de mais de 250 cobras marinhas maiores na baía.

"Mesmo quando estou presa na universidade dando aulas, sei o que está acontecendo na zona de estudo porque as avós pesquisam a área para mim e me enviam as fotos", disse Goiran ao Guardian.

Já Shine destacou a importância do trabalho para segurança da população que frequenta a baía para diversas atividades recreativas e turísticas:

"Surpreendentemente as avós encontraram um grande número de cobras letalmente tóxicas em uma pequena baía que é ocupada diariamente por hordas de moradores locais e passageiros de navios de cruzeiro - apesar de nenhuma mordida dessas espécies tenha sido registrada na Baie des Citrons, testemunhando sua disposição benevolente".

E como as sexagenárias lidam com o perigo? A pioneira entre elas, Guémas, explicou que sempre mantêm uma distância segura e nunca as tocam: "esse é o trabalho do chefe", disse.

No entanto, Guemás conta que os tempos de observação ensinaram truques para que as cobras, geralmente muito rápidas, sejam fotografadas:

"Elas são muito lentas em seus movimentos quando procuram comida", explicou, do alto de sua experiência.

Vida longa às vovós fantásticas!

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