Crise climática: animais podem não acompanhar o ritmo acelerado da mudança, inclusive o homem

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Alcedo atthis

Animais e plantas sempre tiveram a capacidade de se adaptar às mudanças no meio ambiente, o que garantiu o desenvolvimento das espécies desde que o mundo é mundo. No entanto, segundo um estudo publicado na Nature Communications, há o risco de os animais não acompanharem o ritmo acelerado das mudanças climáticas.

O trabalho foi conduzido por uma equipe do Leibniz Institute for Zoo and Wildlife Research, que realizou uma análise quantitativa a partir de 10.090 estudos, dentre os quais foram selecionados 71 artigos, publicados em 58 publicações científicas relevantes. Os pesquisadores se concentraram nos estudos sobre pássaros, não só porque há mais informação a respeito deles, mas por serem mais fáceis de rastrear e acompanhar seus descendentes por várias gerações.

Segundo o texto publicado, as mudanças climáticas podem comprometer a viabilidade das espécies, diminuindo as taxas de sobrevivência ou reprodutivas, por exemplo. Os impactos são suavizados se os animais dão “respostas adaptativas”, seja por meio de mudanças morfológicas, fisiológicas ou comportamentais.

O estudo concluiu que as mudanças analisadas não acompanham a taxa esperada de mudança climática. A constatação é ainda mais grave quando se leva em conta o fato de que as aves pesquisadas pertencem a espécies comuns em determinadas regiões e não estão ameaçadas.

Em nota, Stephanie Kramer-Schadt, coautora do texto, disse que:

 “respostas adaptativas entre espécies raras ou ameaçadas ainda precisam ser analisadas”, afirmando, ainda, haver o temor de que “as previsões de persistência da população para espécies em risco de conservação sejam ainda mais pessimistas”.

Um diferencial das aves em relação a outros animais é que são mais flexíveis, podem voar para novos territórios e ajustar facilmente alguns comportamentos. Além disso, por viverem pouco, as mudanças adaptativas se acumulam mais rapidamente, o que talvez não se aplique para mamíferos, répteis e outras espécies de vida mais longa (ainda são poucos os estudos de longo prazo sobre a forma como se adaptam).

No entanto, outro coautor do estudo, Steve Beissinger, da Universidade da Califórnia, em Berkeley, acredita que há aspectos positivos:

“A mudança climática está definitivamente, provavelmente, acontecendo a uma taxa mais rápida do que a que foi experimentada durante a vida da maioria dessas espécies. Essa é a preocupação”, diz ele. “Mas a boa notícia é que eles estão mostrando flexibilidade e estamos produzindo evidências de que suas respostas são adaptativas. A grande questão é se eles podem continuar. Isso é um pouco mais difícil de responder.”

E o animal homem, como vai ficar?

“O debate acabou. Você pode perguntar às plantas e aos animais. Eles pararam de debater e começaram a se reproduzir mais cedo, a florescer mais cedo e a retornar mais cedo à medida que o clima mudava. Agora a questão é saber o quão rápido o Homo sapiens conseguirá realmente responder à mudança”, afirmou Beissinger.

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