A intervenção do homem na recuperação de animais silvestres é positiva?

 intervenção do homem na recuperação de animais silvestres

Existe um limite de intervenção na natureza? Onde está o limite desta interferência? Recentemente este assunto tem sido discutido nos Estados Unidos após o surgimento de animais silvestres feridos. Um dos casos foi de uma fêmea de Alce que apareceu com uma ferida aberta em sua cauda no Parque Nacional de Yellowstone, a maior reserva natural dos Estados Unidos e Patrimônio da Humanidade pela Unesco. As autoridades ambientas da região optaram por não interferirem e deixaram que a natureza seguisse seu curso.

O procedimento recomendado pelas autoridades ambientais é o de intervir apenas nos casos em que o animal sofreu algum dano possivelmente causado pela ação do homem, ou casos em que a espécie se encontra em risco de extinção onde a perda de um indivíduo possa significar uma diminuição na diversidade genética. No caso do Alce de Minnesota, não houve interferência das autoridades ambientais e, posteriormente, constatou-se que era uma fêmea prenha e que teve seu filhote tranquilamente e sua ferida sarou naturalmente.

No Brasil, centros de recuperação da Pinguins-de-Magalhães, por exemplo, recomendam retirar pinguins da praia somente se estes apresentassem algum dano possivelmente causado por ação do homem: lesões externas, vestígios de óleo na plumagem, presos em redes de pesca. Caso contrário, não é recomendado interferir no ciclo de vida do animal e no processo de seleção natural.

Mesmo nas condições impostas anteriormente, nem sempre a intervenção é bem sucedida. A porta-voz do Parque Nacional de Yellowstone nos Estados Unidos, Amy Bartlett, conta que os funcionários do parque raramente intervêm. O único caso de que ela se lembra é o de um urso-pardo atropelado por um carro há muitos anos. Eles tentaram salvá-lo por causa de seu status de proteção ambiental, mas ele morreu, segundo ela.

Funcionários do Departamento de Recursos Naturais de Minnesota anunciaram uma política de não-intervenção quando lançaram a “EagleCam”, uma câmera que transmitia, ao vivo, imagens de um ninho de águias em uma página facebook, a Minnesota Nongame Wildlife Program. A página atraiu uma grande audiência online quando três águias nasceram. Mas logo se tornou aparente que uma das aves enfrentava problemas e, por pressão dos que acompanham a página a ave acabou por ser atendida, mas tinha lesões que impossibilitariam sua sobrevivência na natureza ou em cativeiro, então os médicos optaram pela eutanásia.

A controvérsia é assunto de muita discussão: devemos interferir na natureza para salvar um animal a qualquer custo e em qualquer situação? Essa interferência é mesmo benéfica? Mas antes de tudo, instalar câmeras na vida selvagem com intuito de estudo e pesquisa é uma coisa. Colocar a câmera on line, é outra. Temos que ter o cuidado de não fazermos da vida selvagem um horror show onde o a público decide pela vida do animal.

Fonte foto: freeimages.com