Baleias: seus hábitos respiratórios se modificam para se protegerem dos ataques das gaivotas

Baleias: seus hábitos respiratórios

Na luta entre uma forte e imensa baleia e uma graciosa gaivota, quem você acha que levaria a melhor? Na verdade, a natureza é surpreendente e a ameaça é mais grave para o lado... das baleias, uma vez que as gaivotas podem bicá-las, chegando a devorar-lhes, aos pedaços.

Desde a década de 1980, tem havido ataques incontáveis de gaivotas contra baleias, na região da Patagônialugar escolhido por muitos desses mamíferos para amamentar e dar à luz seus filhotes, antes de migrar para a Antártida. Nesse processo, sempre que os animais aquáticos levantavam-se da água para respirar, gaivotas faziam o violento ataque, retirando pele e gordura. A dor sentida pela baleia, a faz arquear as costas. Segundo pesquisas reveladas pela publicação Marine Biology, os hábitos respiratórios das baleias têm se transformado para que elas possam escapar desses predadores. O perigo dos ataques de gaivotas é que as feridas por estas causadas podem significar uma porta de entrada para agentes causadores de infecção. Isso, sem contar que a pele da baleia é justamente o que mantém sua temperatura corporal estabilizada.

Os filhotes de baleia, então, ainda correm riscos maiores, pelo fato de terem uma pele muito fina por estarem em fase de crescimento. Qualquer ataque a eles, pode comprometer a vida do pequeno animal.

A arma de defesa das baleias

Para tentar evitar os ataques, as baleias desenvolveram uma nova maneira de respirar. Ou seja, se antes esse processo era realizado ao levantar-se primeiro a cabeça e em seguida o corpo e até a cauda, com um mergulho profundo; agora é realizado com um outro posicionamento: baleias levantam a cabeça até a área do espiráculo – que é o orifício usado para respiração, posicionado atrás da cabeça – e logo depois, em um rápido e explosivo movimento, voltam a fazer sua entrada na água. Como o ângulo é de 45º, essa ação foi batizada de respiração oblíqua. Assim, a gaivota se vê impedida de concretizar seu ataque.

O grande ponto é que a respiração oblíqua exige que as baleias fiquem mais tempo submersas, o que consome mais energia. E se os filhotes também conseguem estar mais protegidos graças à criativa saída, também precisarão de muito mais energia, o que pode ser arriscado para sua sobrevivência. Contudo, essa arma tem, de fato, ajudado e muito as baleias a terem sucesso contra a ameaça representada pelas gaivotas.

É preciso adaptar-se às condições adversas da vida. Até os animais sabem disso.

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Fonte foto: freeimages.com