ANA e ONU irão monitorar águas na América Latina

ANA e ONU irão monitorar águas na América Latina

Problemas que envolvem a qualidade da água, a diminuição de reservatórios e condições de saneamento insuficientes são desafios que travam o desenvolvimento das nações e a luta contra a pobreza na América Latina. Um centro regional, com sede no Brasil, irá tentar avançar nesse sentido, avaliando a qualidade da água, de modo a melhorar o gerenciamento desse recurso natural.

Brasil: um país de seca

Essa preocupação se agravou no país, devido ao caso grave da crise de gestão hídrica em São Paulo, que tem passado pelo pior momento de toda a sua história, por conta da seca prolongada, que prejudicou tanto o abastecimento que levou a metrópole a estar à beira de um colapso no abastecimento de água.

De modo a combater esse quadro, um documento assinado entre PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente – e a ANA – Agência Nacional de Água – transformando a segunda em uma das responsáveis por controlar e monitorar a qualidade de água na América Latina e no Caribe.

Segundo especialistas em abastecimento e em meio ambiente, a qualidade da água e a universalização do abastecimento são questões-chave para auxiliar no processo de erradicação da pobreza e em ampliar a qualidade de vida das pessoas.

O papel da ANA

A ANA irá exercer papel central em auxiliar o estabelecimento de centros nacionais de monitoramento e controle em cada país da região; além disso, irá difundir as informações sobre gestão de recursos hídricos, conforme parâmetros estabelecidos pelo Sistema Global de Monitoramento Ambiental da Água (GEMS – Water, em inglês), também vinculado à ONU. Essse sistema, hoje, dispõe de uma rede global, que conta com mais de 4 mil estações de pesquisa, com dados recolhidos de mais de 100 países.

Desde 2010, a ANA vem tentando implementar um Programa Nacional de Qualidade de Água em todos os 26 estados da federação, além do Distrito Federal, que é inspirado no que preconiza a GEMS.

O próprio Diretor-Executivo de PNUMA, Achim Steiner, afirmou que o controle ineficaz de recursos hídricos poderá ser revertido, graças a um processo de cooperação entre nações do Sul do planeta. Consequentemente, haverá contribuição fundamental para o uso sustentável da água.

O futuro

Essa parece ser a hora certa para a ação. Estudos recentes da ANA atestam que cerca de 3 mil municípios do país correm o risco de sofrer com seca, a começar por 2015. Para se ter uma ideia mais clara, esse número equivale a 55% do total de cidades do país. O quadro é semelhante no resto da América Latina. Mesmo o Brasil sendo mais “desenvolvido”, boa parte dos domicílios não contam com saneamento básico.

Leia também:

Entre 200 países, Brasil, 7ª economia mundial, ocupa a 112º posição no ranking do saneamento básico

Abastecimento de água de São Paulo bate recorde negativo