A extração do ouro é cruel ao ambiente, mas ouro ético será que existe?

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Ouro legal

Ouro ético será que ele existe? Sabemos que a extração de ouro é ilegal em muitos lugares, mas será que existe o comércio justo para a extração do ouro e de outros minérios? 

Extração justa, legal e solidária

Segundo uma matéria do site Swissinfo.ch, iniciativas de comércio justo apoiadas por ONGs oferecem aos garimpeiros no Peru acesso direto aos mercados, mais transparência e técnicas de proteção ambiental. 

Um exemplo de empresa apoiada por uma dessas iniciativas é a Españolita, um projeto apoiado pela campanha Ouro Justo (Better Gold Initiative). Essa campanha tem a missão de eliminar intermediários na mineração do ouro justo, assegurando transparência aos garimpeiros, para que eles tenham acesso a fundos especiais e a projetos sustentáveis.

Produção e beneficiamento do ouro

A Suíça é o centro mundial de beneficiamento de ouro, e o Peru é o quarto maior produtor de ouro do mundo. Em 2011, 190 toneladas de ouro foram exportadas do Peru à Suíça, mas apenas uma parte foi através do primeiro produtor do programa.
Por isso, a Suíça resolveu em 2013 tornar mais transparente as importações e exportações de ouro, classificando a partir deste ano, os dados por país conforme regras internacionais.

Para os compradores interessados no ouro justo, o problema está no número de certificações e na oferta limitada de ouro certificado. Estimou-se que entre 15 a 25% do ouro mundial originado de garimpos artesanais, apenas 600 quilos vinham de fontes consideradas justas.

Além disso, os custos com o fornecimento de ouro justo são caros porque as certificações com os selos “FairTrade” e “FairMined” possuem taxas suplementares de até 25% acima do preço, comparado ao ouro do mercado internacional.

Essas duas certificações são cedidas às minas artesanais que cumprem as normas éticas, sociais e ambientais, promovendo a eliminação progressiva da utilização de mercúrio no processo de extração do ouro.

Marcas que dizem trabalhar com “ouro ético”

Cada vez mais, grandes marcas de jóias e relógios utilizam o chamado “ouro ético” adquirido a partir de fontes responsáveis e com as devidas certificações, indicando que estão dentro dos padrões de melhores práticas ambientais e sociais.

Essas empresas estariam preocupadas com a rastreabilidade dos metais e também em formar parcerias com fornecedores que estejam alinhados com seus ideais de ética e respeito ambiental na extração do ouro e outros minérios. Mas é o que dizem, porque na verdade, o buraco da mineração é literalmente mais embaixo!

O lado escuro da moeda (de ouro)

Não basta apenas tomar conhecimento de que o produto tem certificação fairtrade ou não. É importante ouvir a opinião da outra parte interessada nessa história. Ainda no Peru, houve protestos das comunidades afetadas por esta atividade, pois elas não se sentiam beneficiadas.

De acordo com uma notícia publicada no Opera Mundi, mais de 900 camponeses foram intoxicados por um vazamento de mercúrio nas montanhas do Peru, fazendo com que a população tivesse que deixar suas terras.

As empresas envolvidas nesses casos, apesar de exibirem as devidas certificações, conseguiam relatórios “limpos” porque pagavam auditores para conseguirem se manter como “produtoras éticas de ouro”. O cientista Robert Moran, entrevistado na época, informou que as minas não conseguem ser sustentáveis por muito tempo. Isso faz com que as empresas até então certificadas, percam a credibilidade no quesito “empresas responsáveis”.

Estas por suas vezes, tentam convencer seus acionistas a continuarem investindo nelas, mesmo com as comunidades camponesas afetadas continuarem fazendo protestos contra suas operações.

Infelizmente as ações dessas empresas continuaram a ser comercializadas, apesar de ficar claro que elas não conseguem mudar a consciência com relação ao modo como trabalham.

Outras entidades como a Earthworks e a Oxfam até tentaram fazer com que não fossem mais comprados ouros dessas empresas envolvidas com violações ambientais e de direitos humanos.

Certificações

Por conta disso, as empresas de jóias criaram uma outra certificação RJC (Conselho de Joalheria Responsável), com o intuito de direcionar os consumidores e as empresas para o “ouro limpo”. No entanto, grupos ambientais e trabalhistas alegaram que as normas da RJC não são consistentes, acusando-a ainda de não mostrar transparência em seus relatórios.

Membros ligados à RJC foram acusados de comprarem ilegalmente minério da Amazônia peruana. Grandes sistemas ligados à ela têm dificuldade de rastrear o trajeto do ouro.

Com isso, constatou-se que as únicas certificações, talvez, capazes de atender às normas éticas e responsáveis são a FairTrade, que falamos anteriormente, e a ARM (Aliança para Mineração Responsável), as quais trabalham diretamente com as comunidades da América Latina e da África, que produzem o ouro artesanalmente e garantem a rastreabilidade do mesmo.

O vice-presidente da ARM, Manuel Reinoso, admite que ainda há questões ambientais não resolvidas com a certificação, mas afirmou que a organização está trabalhando para eliminar os produtos químicos, o que demanda tempo e necessita de dinheiro.

Já a FairTrade criou o seloOuro ecológico” para o ouro produzido sem substâncias químicas, mas mesmo assim, a mineração impacta o meio ambiente, principalmente em áreas sensíveis como florestas e mananciais. Os programas como o Comércio Justo e Mineração Justa precisam continuar pequenos, pois se crescerem demais, deixam de ser sustentáveis.

De acordo com o Conselho Mundial do Ouro, apenas 9% do ouro produzido no mundo são utilizados na fabricação de eletrônicos e equipamentos médicos e a reciclagem já é responsável por um terço do total da oferta de ouro. Ou seja, a tecnologia e as necessidades médicas conseguem ser satisfeitas sem qualquer novo garimpo.

Ouro de tolo

Tendo todas estas questões em mente, é necessário repensar a situação dos garimpeiros dentro de um sistema econômico insustentável ao meio ambiente e insalubre para eles próprios, propondo alternativas sociais e econômicas realmente justas e solidárias.

Por outro lado têm-se o papel do consumidor, nós seres humanos que adoramos receber joias, ouro, diamantes de presente, porque são objetos de valor, que custam caro, mas cujo preço, quem paga mesmo são a natureza e a saúde destes pobres cristãos explorados em uma indústria tão cruel como a mineração. 

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