Exame de sangue revela presença de metais pesados em moradores atingidos pelo desastre em Mariana

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desastre Mariana

A tragédia socioambiental que assolou Mariana (MG), em 2015, com o rompimento da barragem de Fundão, sob a responsabilidade da mineradora Samarco, está longe de ter um fim, sobretudo, um final no qual seja feita justiça. A sensação de impunidade é tamanha que a campanha Não esqueça Mariana ganhou visibilidade nas últimas semanas.

Segundo um relatório do Instituto Saúde e Sustentabilidade, divulgado pela BBC, após ter sido enviado ao Ministério Público, mais da metade de 11 moradores da cidade de Barra Longa (MG) que foi submetida a exames toxicológicos recebeu diagnóstico positivo para alterações de níveis de arsênico no sangue.

Esse diagnóstico foi o primeiro a ser realizado nas populações afetadas pelo crime cometido pela Samarco. A Procuradoria da República em Minas Gerais já enviou ofícios às secretarias de saúde de Barra Longa e dos estados de Minas Gerais e do Espírito Santo, ao Ministério da Saúde e à Fundação Renova, que atualmente responde pelas ações de reparação da mineradora Samarco, solicitando estudos nas regiões afetadas pelo desastre no intuito de monitorar a presença de metais pesados, bem como oferecer apoio no tratamento daqueles já diagnosticados.

O documento afirma que, embora o número de participantes seja pequeno e não suficiente, ainda, para estabelecer relação causal com o acidente, é necessário que haja um estudo mais acurado. A Renova respondeu dizendo estar empenhada na avaliação de riscos à saúde, tanto que já abriu uma chamada técnica para estudos epidemiológicos e toxicológicos em toda a área afetada.

O Instituto Saúde e Sustentabilidade é uma organização da sociedade civil que tomou a frente na realização dos exames toxicológicos em moradores de Barra Longa devido a uma pesquisa que aplicou um questionário de autoavaliação entre outubro de 2016 e janeiro de 2017 em 507 pessoas. Na pesquisa, queixas sobre adoecimento após o desastre começaram a aparecer, tais como problemas respiratórios e de pele, além de transtornos mentais.

Diferentemente do que aconteceu com os moradores de Bento Rodrigues e Paracatu, que foram levados para Mariana, os de Barra Longa permaneceram na cidade durante a sua reconstrução. Segundo o relatório, a exposição à poeira pode ter ligação com os sintomas descritos pelos moradores, visto que metais como o níquel são absorvidos pela pele e por inalação.

Resultados dos exames

Os exames de sangue foram feitos em apenas 11 moradores porque a organização, selecionada por um edital da ONG Greenpeace, não tinha recursos.

Todas as amostras de sangue apresentaram aumento de níquel e diminuição de zinco. Em três participantes foi identificada a presença de arsênico nas amostras, mas em limites dentro da “normalidade”. O relatório salienta que o arsênico talvez já estivesse no sangue dos moradores devido à presença da substância na região antes do desastre.

O texto diz sublinha que: "O diagnóstico de intoxicação por níquel é preocupante por ocorrer após um grave episódio de contaminação do meio ambiente por lama tóxica de rejeitos de mineração de ferro". Por isso a necessidade de um estudo para averiguar se há um quadro de contaminação na região.

A Fundação Renova, em nota, garante que "segue monitorando a qualidade do ar no município" e que "os resultados atuais estão dentro dos parâmetros exigidos pela legislação brasileira".

A secretária de Saúde do município de Barra Longa, Raquel Aparecida, disse, também em nota, que a Fundação Renova já foi notificada para fortalecer o serviço do SUS com a disponibilização de 3 médicos clínicos.

O Ministério da Saúde diz que recomendou à Fundação Renova a realização de testes epidemiológicos, a fim de avaliar os riscos à saúde da população afetada pelo rompimento da barragem.

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