Justiça derruba licença da Belo Sun. Nosso ouro não tem que ir pro Canadá!

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Notícia boa a gente dá, voando! A licença de instalação da mineradora canadense, Belo Sun, foi suspensa no último 21 de fevereiro, por decisão da Vara Agrária e Juizado Especial Ambiental de Altamira. A resistência dos povos do Xingu está dando seus frutos.

A ação, uma liminar da Defensoria Pública do Estado (DPE) denunciou a violação dos direitos humanos das populações ribeirinhas da Volta Grande e a “grilagem”, por compra ilegal, de terras públicas feita pela Belo Sun. Você pode ler a íntegra da liminar, aqui.

Esta notícia foi dada pelo ISA - Instituto Socioambiental e você poderá lê-la na íntegra aqui. E nós havíamos falado do problema neste artigo: O OURO DO XINGU VAI PARA O CANADÁ

Suspensão da Licença de Instalação

O objetivo da suspensão da LI, por um prazo de 180 dias, é obrigar a Belo Sun a apresentar um plano de realocação da população ribeirinha que sofrerá o impacto direto do projeto.

Essa decisão, mesmo que parcial, é considerada uma vitória para os povos do Xingu que, sistematicamente denunciam os atropelos levados a cabo pela mineradora canadense.

Dê uma conferida nos antecedentes dessa ação, aqui no Justificando. Neste outro artigo, fala-se do pedido do Conselho Nacional dos Direitos Humanos para a suspensão da Belo Sun, vale a pena você conferir também.

O projeto da Belo Sun nos interessa?

O projeto de Volta Grande pretende ser a maior mina de ouro a céu aberto no nosso país e se instalará, caso seja efetivado, no entorno de terras indígenas tradicionais: a 9,5 km de distância da Terra Indígena (TI) Paquiçamba, a 13,7 km da TI Arara da Volta Grande do Xingu e também próxima à TI Ituna/Itatá, habitada por indígenas isolados.

Leia mais: OS JURUNAS, BELO MONTE E A DEFESA DA NATUREZA

Impactos ambientais irreversíveis

A implantação de um tal projeto de mineração afetará a qualidade ambiental das águas da região, prejudicando a biodiversidade e as populações tradicionais que dela vivem, ocupando áreas que são hoje, de floresta nativa, contaminando os rios com seus resíduos, destruindo a região de Volta Grande do Xingu que hoje já sofre uma redução de mais de mais de 80% da vazão da água em 100 quilômetros do Rio Xingu com as consequências da enorme “mortandade de peixes, piora da qualidade da água e alterações drásticas no modo de vida de populações indígenas e ribeirinhas desde o início da construção da usina em 2011”.

Impactos ambientais acumulados

Na Volta Grande do Xingu se acumularão os impactos ambientais de dois projetos - Belo Monte e Belo Sun - que de “belo” não têm nada.

Belo Monte já destruiu, antes de começar, todo o seu entorno, deslocando comunidades inteiras, saturando as pequenas cidades que antes estavam equilibradas em suas necessidades e condições, matando peixes, bichos e mata.

Belo Sun promete a continuação deste mesmo percurso, estendendo a área de destruição. Serão estes impactos ambientais sinérgicos e acumulados e, são eles o objeto da liminar de que falamos assim como da postura do MPF e da DPU.

A técnica nefasta da extração do ouro

A extração do ouro, pelo menos na América Latina, é um procedimento altamente destruidor que produz uma mísera grama de ouro em uma tonelada de terra extraída - o processo é feito por desmonte hidráulico (muita água em jatos fortes para lavar, desmontar, os morros auríferos), esta água escorre para os rios, claro, e para piorar a situação, a separação do ouro é feita por reação com o mercúrio, mineral tóxico altamente contaminante.

“Em 12 anos, a estimativa é que serão extraídas 600 toneladas de ouro. Ao final da exploração, as duas pilhas gigantes de rejeito de material estéril quimicamente ativo terão, somadas, área de 346 hectares e 504 milhões de toneladas de rochas, sem previsão para sua remoção”.

Até onde pretende ir a Belo Sun?

A Belo Sun pretende ir longe ocupando as terras da nossa Amazônia - seu site divulgou um plano de pesquisas para a expansão da atividade aurífera em 120 quilômetros ao longo do Rio Xingu. Neste projeto futuro mais áreas tradicionais indígenas serão devastadas: a TI Paquiçamba, dos Juruna, TI Ituna/Itata, dos isolados, a TI Arara da Volta Grande, dos Arara, e a TI Trincheira Bacajá, dos Xicrin.

“Do jeito que tá ali no mapa parece que não existe indígena ali. Pra Belo Sun não tem ninguém ali”, denuncia Mukuka Xicrin, presidente da Associação Instituto Bepotire (Ibkrin).

A ânsia por mais lucro é a tônica. A devastação, uma consequência menor. O genocídio das tribos indígenas, algo de que só nós, ambientalistas humanitários nos preocupamos.

Pois é, a coisa está feia! Não nos esqueçamos disso, continuemos alertas!

E, como é carnaval, recordemos a letra do samba-enredo da polêmica do momento, "Xingu, o Clamor da Floresta", da escola de samba Imperatriz Leopoldinense:

"Brilhou... a coroa na luz do luar!

Nos troncos a eternidade... a reza e a magia do pajé!

Na aldeia com flautas e maracás

Kuarup é festa, louvor em rituais

Na floresta... harmonia, a vida a brotar

(...leia a íntegra)

A nossa voz vai ecoar... preservar!"

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