Como as mudanças climáticas afetarão a Região Amazônica? Relatório da Fiocruz

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A Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz - publicou pesquisa sobre indicadores de impacto das mudanças climática em vários municípios da Região Amazônica. O cenário é bastante preocupante.

Este estudo visou detectar índices de vulnerabilidade climática, ambientais e sociais, para possibilitar que os governos regionais e locais estabeleçam políticas públicas adequadas visando prevenir as enormes perdas que se esperam, segundo a evolução dos modelos matemáticos aponta.

O relatório, coordenado por Ulisses Confalonieri, foi apresentado durante o Seminário Indicadores de Vulnerabilidade à Mudança do Clima, que ocorreu em 14/9 na cidade em Manaus.

Segundo as previsões, o estado do Amazonas poderá apresentar um aumento de até 5º C na média de temperatura e uma redução de até 25% do volume de chuvas habituais, durante os próximos 25 anos.

Impactos esperados das mudanças climáticas

Não só o clima mas, toda a vida na região amazônica é regulada pelo regime de chuvas - suas matas, adaptadas à ocorrência de inundações na época chuvosa, têm os ciclos de vidas vegetal e animal todo equilibrado em função de se os rios enchem ou esvaziam, os períodos de seca têm de ser equilibrados com as chuvas vivificadores porque senão os peixes morrem na lama dos rios secos, e morrem as populações ribeirinhas que dependem destes para sua alimentação. As projeções das variações climáticas apontam para uma real diminuição da biodiversidade, em virtude das alterações no ciclo reprodutivo de plantas e animais”.

Mas, com o aumento de temperatura média e a diminuição de chuvas teremos outro efeito naquela região de solos pobres em matéria orgânica, leves e pouco profundos - a morte da vegetação hidrófila levará a um processo de savanização da floresta amazônica o que, na verdade, nada mais é do que o início da desertificação da região. É preciso lembrar que a região amazônica está na mesma linha mediana do grandes desertos do mundo, Sahara, Gobi na China, da Austrália e Atacama, no Chile e, a tendência é de que, em faltando água para alimentar a biodiversidade tropical úmida, também lá, na Amazônia, se forme um deserto, um dia.

Outra questão dos impactos esperados são os eventos climáticos extremos, como secas e inundações, que afetarão sobremaneira as áreas agricultáveis, o potencial de pesca e, diretamente, a segurança alimentar das populações ribeirinhas.

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Os prognósticos não são nada bons e é necessário que o poder público tome em sério estes avisos. “Além do Amazonas, mais cinco estados estão sendo avaliados: Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso do Sul, Paraná e Pernambuco. Também foi desenvolvida uma ferramenta, um software, para mensurar a vulnerabilidade humana às mudanças climáticas, conforme cada município”, destaca o pesquisador.

Nesta pesquisa foi calculada a vulnerabilidade dos municípios “associado a três elementos - exposição, sensibilidade e capacidade de adaptação da população, considerando dois cenários de clima futuro: um com redução nas emissões de gases do efeito estufa e menor aquecimento global, e outro que considera o aumento contínuo dessas emissões com maior impacto no clima”.

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