Brasileira recebe prêmio no Congresso Mundial da Conservação

Maria Tereza Jorge Pádua

Maria Tereza Jorge Pádua é engenheira agrônoma e ambientalista. Ela recebeu, em 6 de setembro, a Medalha John C. Phillips, a mais alta condecoração do Congresso Mundial da Conservação, pelo seu trabalho na criação de áreas de conservação no Brasil. O prêmio, nunca recebido antes por um brasileiro, é dada pela segunda vez a uma mulher. A Medalha John C. Phillips foi criada em 1963 e concedida a apenas 16 pessoas empenhadas na conservação da natureza

Em entrevista à EBC, Maria Tereza conta que começou a trabalhar na Amazônia em 1968. Nessa época, a região não tinha nenhum parque nacional ou reserva ecológica. A Amazônia era um vazio em termos de decretos de áreas protegidas. Com o seu trabalho e de uma equipe de pesquisadores, foram criados o Pico da Neblina (AM), o Parque Nacional do Jaú (AM), o Parque Nacional Pacaás Novos ( RO), a Reserva Biológica do Rio Trombetas (PA) e a Reserva Biológica do Lago Piratuba (AP). 

Ela conta que, na época, foi feito um trabalho de campo considerado de alto risco, pois não havia os instrumentos disponíveis atualmente. Só em junho de 1979, foi criada a primeira unidade de conservação na Amazônia, inaugurando uma rede de áreas protegidas

Maria Tereza também contribuiu para a criação do Atol das Rocas (RN), primeira reserva marinha do Brasil, do Projeto Tamar, do Projeto Peixe Boi, do Centro Nacional de Pesquisa para a Conservação das Aves Silvestres.

No seu currículo, somam-se 15 parques nacionais, apoio na construção de mais 4 e implementação de diversas áreas, totalizando 9 milhões de hectares conservados.

A agrônoma e engenheira diz que a sua inclinação para a natureza nasceu do contato com uma chácara de sua avó que tinha tanto vegetação de Mata Atlântica quanto de cerrado, além de ser inspirada pelo livro Os Sertões, de Euclides da Cunha. Depois, ela se formou e dedicou a sua vida à causa ambiental. Ela relembra que todos os feitos conquistados são devidos a uma equipe de alto nível de pesquisadores envolvidos nos projetos, que impressionou os militares em plena ditadura militar. 

Hoje, Maria Tereza analisa a questão ambiental, no Brasil e no mundo, considerando que houve muitos avanços e que, atualmente, a geração contemporânea está muito mais informada e preparada para lidar com os desafios ambientais. Já o Brasil é campeão de extinção de áreas preservadas, além de não geri-las e fiscalizá-las. Enquanto a agricultura evoluiu muito no país, a área ambiental é mal administrada. 

Maria Tereza deu início a um sistema de proteção da diversidade de nossa natureza em suas mais diferentes formas. Mais do que merecido o prêmio para essa competente pesquisadora e ambientalista.

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Fonte foto: OEco