Manguezal, berço de vida e incompreensão

manguezal

Para quê serve um manguezal, aquela porção de terra-água onde o mar e o rio se encontram, onde as árvores têm raízes aéreas e garras como se quisessem ficar acima do vai-e-vem das marés.

Manguezal onde a terra é mole, lodosa, fedida e se podem ver caranguejos acenando com suas patas azuis, os guaiamus. Para que serve esse pedaço esquisito dos nossos litorais onde moram repteis, anfíbios, peixes e aves e, os lindos guarás? Para quê serve um ecossistema?

foto de Nicco "Guarás no manguezal de Itanhaém, Ivoti" 

É, por mais que os biólogos expliquem que manguezal é vida, berçário de peixes, moluscos e crustáceos, quer dizer, de conchas, caranguejos e afins, a gente tem dificuldade de entender porque é preciso preservar os manguezais em todas as partes do mundo. Acontece que o mar é tão infinito, assim parece quando olhamos o horizonte, que as pessoas não conseguem entender que, de repente, essa imensidão poderá ficar sem vida, e que essa falta de vida ocasionará a nossa falta de vida, também.

foto de Fabio Coppola, Una - Peruíbe - SP

Questões culturais, penso eu, que não privilegiam o reconhecimento do ser humano como parte integrante da natureza, de seus ecossistemas. Formas de pensar de uma sociedade que se considera dona e senhora do planeta pois, estupidamente, pensa que a propriedade privada é a maneira certa de se viver. E não o é. Porque não podemos ter propriedade sobre o que é de todos, de toda a humanidade, de todos os seres viventes na Terra.

Mas disso só sabiam as ditas sociedades primitivas, indígenas em vários continentes já o disseram inúmeras vezes: que não é nossa a terra, nem a água, nem o ar, nem os animais e plantas que a povoam, que nós é que somos dela, da Terra e sua natureza.

E aqui relembro um poema de Ascendino Zwarg, velho itanhaense de coração, caiçara por ter assumido essa forma de viver, cantador das verdades humanas e naturais. Lá vai este, em versos de pé quebrado, que pertence ao acervo do Instituto Ernesto Zwarg e que data de 1993. Em memória dos manguezais, de Itanhaém e de todos os outros lados.

Leia também:

setaMANGUEZAL DE NITERÓI EM FRANCA RECUPERAÇÃO: TRABALHO VOLUNTÁRIO E CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

setaA IMPORTÂNCIA DOS MOSQUITOS PARA O ECOSSISTEMA

setaRÉPTEIS E ANFÍBIOS EM RISCO DE EXTINÇÃO EM MASSA: UM ESTUDO PREOCUPANTE