Após 5 meses da tragédia em Mariana, Samarco não consegue conter lama no Rio Doce

Rio Doce

Após cinco meses da tragédia provocada pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana (MG), a mineradora Samarco não consegue evitar que o Rio Doce receba a lama carregada pelas chuvas.

Mesmo tendo construído diques para contenção, que deveriam filtrar a lama e despejar água limpa no rio, a obra tem se mostrado ineficaz. Os rios Gualaxo do Norte e do Carmo, que deságuam no Rio Doce, têm recebido material com rejeitos de minério. O Ibama já notificou a Samarco 39 vezes desde novembro, tendo sido a última em 15 de janeiro.

Desconfiada da omissão da Samarco, a Polícia Federal realizou, com ordem judicial, escutas telefônicas dos diretores da empresa. Conversas realizadas no mês de janeiro entre funcionários revelam que o sistema de bombeamento operava, mas não resistia à força da lama.

A Samarco iniciou a construção de três diques, mas um deles caiu e, após ser reerguido, foi encoberto por lama. Outro tem contido apenas uma parte dos rejeitos. Segundo Marcelo Amorim, coordenador de emergência ambiental do Ibama, a Samarco calculou errado a quantidade de lama em períodos chuvosos.

Já a Samarco se defende dizendo que a chuva está acima da média histórica, o que é agravado com a quantidade de sedimentos misturados à água. Além da construção dos três diques, a Samarco afirma que plantou cerca de 400 hectares de gramíneas às margens dos rios Gualaxo do Norte e do Carmo para conter os sedimentos.

Segundo a mineradora, 300 funcionários estão trabalhando, atualmente, em Fundão, cujas barragens estão fora de operação desde a tragédia.

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