E a qualidade das águas do Rio Doce como vai? Mal, muito mal!

Análise água Rio Doce

Muito se tem falado, gritado, berrado, sobre a impropriedade de se oferecer as águas contaminadas por rejeitos de mineração do Rio Doce, às populações desta bacia hidrográfica.

Uma variedade de laudos, independentes ou não, já foram apresentados. No entanto, os órgãos oficiais continuam afirmando que as águas desse rio poluído, ora classificado como de “classe 2” há 20 anos atrás, ainda estão com qualidade aceitável.

Após o “desastre de Mariana” então, o rio virou um mar de lama!

Entre 6 e 12 de dezembro último, a SOS Mata Atlântica realizou coletas e análises em campo, em 18 pontos do rio e constatou que 16 apresentaram o IQA (Índice de Qualidade da Água) péssimo, e 2, regular.

A água está, como já se sabe, imprópria para consumo, para pesca, para banho, para irrigação, em todo o trecho do rio.

Também está imprópria para tratamento em pelo menos 16 pontos analisados.

Foram coletados sedimentos, foram analisados sedimentos, foram detectados metais pesados, bactérias, etc.

29 municípios foram percorridos pela equipe da SOS Mata Atlântica. 29 amostras de água e lama foram coletadas para análise em laboratório.

Turbidez e total de sólidos em suspensão

Dois dos parâmetros básicos que definem a classificação de um rio, estão em concentrações inusitadamente acima daquelas permitidas pela legislação vigente. Para que vocês entendam melhor: a turbidez, que mede a quantidade de sólidos em suspensão, é avaliada em NTU (Nephelometric Turbidity Unit) e o máximo aceitável pela legislação brasileira é de 40 NTU. No estudo realizado pela SOS Mata Atlântica foi detectada uma variação de 5,150 NTU em Bento Rodrigues a 1.220 NTU em Barra Longa.

Segundo Malú Ribeiro, coordenadora de Águas da SOS Mata Atlântica: “os dados reforçam a gravidade do dano ambiental e, infelizmente, as chuvas acabam por arrastar mais lama para o leito do rio e a situação tende a ficar ainda mais complicada. A lama e os metais pesados não mascararam ou diminuíram as concentrações de poluentes provenientes de esgoto sem tratamento e de insumos agrícolas”,

Neste link você poderá acessar a íntegra do relatório apresentado.

E a discussão continua! Até que o rio esteja limpo outra vez, pelo menos.

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Fonte fotos: sosma.org.br