“Guerra climática” não é uma metáfora

Guerra climática

No recente relatório do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas da ONU (IPCC), a entidade apontou que a mudança climática, nos termos em que está se processando atualmente, é um risco existencial para a civilização de hoje – mas esse rumo ainda pode ser alterado, com a cooperação de todos.

Outro alerta dado no conjunto de relatórios: as mudanças climáticas têm desestabilizado nações e intensificado as consequências de conflitos.

O conflito na Síria, por exemplo, tem como agravante a seca prolongada na região. Os mais de 4 milhões de pessoas em situação crítica – necessitando de ajuda humanitária para obter água e alimento, devido à destruição de infraestrutura básica, podem chegar a 6,5 milhões de pessoas, em razão da seca prolongada potencializou os efeitos do conflito na produção agrícola do país – que, de acordo com a FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, na sigla em inglês), deverá sofrer por anos, mesmo depois do fim da guerra, os efeitos da destruição de bombas d'água, canais de irrigação e linhas de transmissão de eletricidade.

A entidade, que em março atingiu na Síria o recorde de 4,1 milhões de pessoas assistidas, anunciou este mês que teve que reduzir o tamanho das rações distribuídas aos necessitados em razão da insuficiência de recursos advindos de doações. Também nos recentes conflitos em Darfur, Tunísia e Egito, considera-se que as mudanças climáticas possam ser um elemento potencializador dos danos causados pela guerra.

Em Darfur, região oeste do Sudão, é comum a ocorrência de prolongadas secas, além de chuvas torrenciais e inundações, razão pela qual há uma polêmica no meio acadêmico se essa seria a primeira guerra causada por razões ambientais, pois há uma redução sbstancial da produção agrícola nos anos mais quentes. Motivações étnicas e religiosas também permeiam o conflito, que já fez mais de 200 mil mortos e 2 milhões de refugiados desde 2001.

Sejam ou não a principal causa do conflito, certo é que as mudanças climáticas aumentam ainda mais as aflições de grande parte dos 7 milhões de habitantes do Darfur.

A mudança climática tende a aumentar o abismo entre as classes sociais, atingindo aos mais pobres de forma mais intensa. Aumenta o preço de alimentos, causa desastres como inundações, cria refugiados e mina a resistência de governos.

Por isso, elas têm preocupado até os militares norte-americanos.

É o caso do General de Brigada reformado Chris King, que foi entrevistado recentemente pelo blog Responding to Climate Change (Respondendo à Mudança Climática). Na entrevista, ele compara a batalha contra as mudanças climáticas a uma guerra dos 100 anos – o tipo de guerra em que não há vencedores.

Fonte foto: freeimages.com