A grande diferença entre os mais ricos e os mais pobres na geração de CO2

Os 10% da população mais rica do planeta produz cerca de metade de todas as emissões de combustíveis fósseis que provocam o aquecimento global. Já, a metade mais pobre da população mundial - 3,5 bilhões de pessoas - é responsável por apenas 10% das emissões de carbono, apesar de ser a mais ameaçada pelas tempestades, secas e outros eventos climáticos catastróficos, ligados às mudanças climáticas. Estas são as conclusões de um novo relatório da Oxfam, publicado durante as negociações climáticas em curso em Paris.

"Os ricos e maiores emissores devem se responsabilizar por suas emissões, não importa onde vivam, mas é fácil esquecer que as economias em rápido desenvolvimento são também o lugar da maioria das pessoas mais pobres do mundo e, ao mesmo tempo têm de assumir sua parte equitativa", destacou Tim Gore, responsável por política climática na Oxfam, para quem "os países ricos devem dar o exemplo".

A comparação entre os mais ricos e os pobres na geração de CO2

A comparação gera revolta. Veja:

- O relatório estipula que uma pessoa entre os 1% da população mais rica, utiliza 175 vezes mais carbono em média do que uma outra entre as 10% mais pobres;

- Uma pessoa entre os 10% mais ricos da Índia utiliza, em média, somente um quarto do carbono de outra pessoa na metade mais pobre dos Estados Unidos;

- As emissões totais de metade da população mais pobre da China, cerca de 600 milhões de pessoas, são responsáveis por apenas um terço das emissões totais de somente 10% da população mais rica dos Estados Unidos. Esses 600 milhões da China representam o dobro da população norte-americana, o que significa que são superados por apenas 30 milhões de ricos dos EUA.

Esses dados mostram o quão absurda é a discussão sobre a divisão de responsabilidade no mundo, em relação à contenção do aumento da temperatura global, e sobre as quais os países devem assumir um compromisso para reduzir as emissões dos GEE, os gases causadores do efeito estufa.

"Esperamos que os países desenvolvidos assumam objetivos ambiciosos e os persigam sinceramente. Não é apenas uma questão de responsabilidade histórica, eles contam também com mais espaço para reduzir", disse o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, durante a abertura da conferência do clima em Paris.

Evidentemente, os países ricos não gostam da ideia de uma divisão diferenciada, mas Barack Obama em seu discurso na abertura dos trabalhos na COP21 se mostrou colaborativo:

"Nós somos a primeira geração a sentir o impacto das alterações climáticas e a última geração que pode fazer algo sobre isso. Nós podemos mudar o futuro agora. Eu vim aqui pessoalmente como líder da maior economia do mundo e o segundo maior emissor de gases de efeito estufa para dizer que os Estados Unidos não só reconhece o seu papel na criação deste problema, mas assume a responsabilidade de fazer algo"

Todos aguardam por um acordo vinculativo e com responsabilidades diferenciadas para que possamos conter o aquecimento global.

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