Chapada Diamantina em chamas

A vegetação da Chapada Diamantina, cerrado e catinga, está queimando uma vez mais. Nos últimos 15 anos a Chapada já queimou 7 vezes e o incêndio atual já foi considerado um dos 3 piores do século.

A área atingida já chega ao correspondente a 30 mil campos de futebol, o fogo consome a vegetação ressecada pela seca que assola a região.

Em setembro último a Chapada também havia queimado em um incêndio de grandes proporções que foi, com dificuldade, dominado pelas brigadas de voluntários e bombeiros.

Os focos deste incêndio surgiram há 25 dias e, já se alastrou até atingir a unidade de conservação “Parque Nacional da Chapada Diamantina”, atingindo áreas isoladas como o Vale do Capão, área também atingida em setembro.

As chamas alcançaram, uma vez mais, o Morro do Pai Inácio, um dos mais visitados pelos turistas, e teme-se que ocupe a região do Morro Branco onde estão as principais rotas de turismo ecológico da Chapada.

O impacto ambiental destes incêndios é muito significativo já que, não só é consumida a vegetação, de cerrado, caatinga e mata atlântica, em áreas de preservação ambiental, como também aumenta a ocorrência de erosão nas terras devastadas, e de assoreamento dos corpos d’água. “É uma verdadeira catástrofe”, como se expressou o Secretário de Meio Ambiente da Bahia, Eugênio Spengler.

Na Chapada Diamantina estão as nascentes dos principais rios que banham o estado baiano, como o Rio Paraguaçu, que é fonte de água potável para a Grande Salvador, servindo a 2,5 milhões de pessoas. Outros rios, de menor porte e não menor importância, como o Águas Claras e o do Cercado já tiveram, por conta dos incêndios, sua mata ciliar totalmente destruída, nas duas margens.

Apesar de que ainda não terem sido identificadas as causas do fogo, o governo da Bahia realiza uma investigação direcionada com uma equipe policial de Salvador já que, tem-se indícios de que alguns dos incêndios sejam de origem criminosa.

César Gonçalves, chefe substituto do Parque Nacional da Chapada Diamantina declarou à Agência Brasil que “os sucessivos incêndios que atingem a região desde o dia 26 de outubro são causados pela ação do homem”, “incêndios naturais são causados por tempestades e raios. Não é o caso. Sabemos que a causa é humana”.

Segundo Gonçalves, “as motivações podem ser diversas, como colocar fogo para renovar pastagens ou para diminuir a vegetação e facilitar a caça”.

Quer dizer, nem toda motivação é criminosa, em um princípio mas, toda queimada causa um sério dano ambiental, mais ainda quando se descontrola extrapolando limites de propriedades e atingindo áreas ambientais preservadas.

Em toda a Chapada Diamantina estão atuando, contra os focos de incêndio, mais de 240 homens, e o fogo já consumiu algo entre 15 a 30 mil hectares de vegetação nativa.

Os incêndios já afetaram os municípios de Lençóis, Palmeiras, Mucugê, Ibicoara, Jacobina, Jaborandi e Andaraí, alguns dos quais também haviam sofrido com os incêndios de setembro.

Até o momento, aproximadamente 10 mil hectares do Parque Nacional foram queimados, o equivalente a 6,5% da sua área total.

É comum, na região, a ocorrência de focos de incêndio entre os meses de julho e novembro, que coincide com a temporada de queimadas na área rural porém, neste ano a intensidade dos incêndios está muito mais alta. Supõe-se também que isto se deva à ocorrência do El Niño, que tem causado forte seca na região nordeste.

A visitação ao Parque Nacional da Chapada Diamantina está interrompida em algumas trilhas situadas em áreas de incêndios como sejam: Pai Inácio-Águas Claras; Pai Inácio-Barro Branco e Conceição dos Gatos-Águas Claras.

O Parque Nacional da Chapada Diamantina foi criado em 1985 e engloba os municípios de Andaraí, Ibicoara, Itaetê, Lençóis, Mucugê e Palmeiras.

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Fonte foto: fotospublicas