Baía da Guanabara e lagoas do Rio de Janeiro pedem socorro

Baía da Guanabara e lagoas do Rio de Janeiro

Lixo, esgoto lançado sem tratamento e um odor terrível. Este é o cenário comum a dois dos mais belos locais da cidade do Rio de Janeiro: a Baía de Guanabara e as Lagoas da Barra da Tijuca e Jacarepaguá, na Zona Oeste.

Um ponto em comum entre esses lugares é que todos são vizinhos a instalações que abrigarão atletas para os Jogos Olímpicos de 2016, época na qual se extingue o prazo para despoluição das áreas, ou seja, faltam menos de dois anos. Segundo biólogos, cerca de 90% de todas essas regiões estão cercadas por lixo, sendo que as lagoas estão, inclusive, vendo ser reduzidos drasticamente seus volumes de água. Com as chuvas, ao longo do ano, mais lixo acaba sendo arrastado para as lagoas, e uma vergonhosa contabilidade é feita: cerca de 185 pneus e mais de 30 sofás puderam ser vistos, flutuando no local.

A Secretaria Estadual do Ambiente comunicou que as obras de dragagem e despoluição começariam ainda no primeiro semestre de 2014, e seriam concluídas após 30 meses – ou 2 anos e meio. Com uma matemática simples, sabe-se que, caso começassem hoje, em abril de 2014, terminariam apenas em 2017 – depois da competição olímpica.

Contudo, a dragagem trata apenas o resultado, ou seja, o lixo arremessado na bacia hidrográfica, mas não todo o processo de tratamento dos rios, de modo que o local continuará sendo poluído. Em resumo: seria um investimento da ordem de R$ 640 milhões, que não resolveria o problema, de modo algum, apenas suavizaria uma de suas vertentes.

Em relação à Baía de Guanabara, na própria raia olímpica das competições de vela de 2016, os esportistas têm de se esforçar, não só para vencer seus próprios limites e fazer um bom tempo, mas driblar o lixo – há desde camas e TVs, até animais, como cavalos, mortos – e se proteger de respingos d’água, para não ter nenhuma doença de pele, ou pior, ingerir água altamente poluída. Além da questão ambiental, o lixo é também obstáculo físico à própria competição, atrasando trajetos de velejadores.

Alguns atletas brasileiros, mais esperançosos, creem que essa é uma oportunidade única para que o Rio se torne um local menos poluído, mesmo por conta da atenção internacional voltada para a cidade. Então, as Olimpíadas representariam, para a capital fluminense, como um “agora ou nunca”.

Infelizmente, segundo ambientalistas, a opção mais negativa é também a mais realista, haja vista que 70% de todos os resíduos cariocas são despejados, sem qualquer tratamento, tanto na Baía, quanto no mar. Quase todos os rios e canais no entorno da Baía já podem ser considerados mortos.

Em termos de ações práticas, 10 Eco Boats – que têm como função recolher lixo flutuante na Baía – entraram em ação, mas somente no final de 2013, ou seja, quatro anos após o rio ter sido a cidade escolhida para os Jogos Olímpicos.

Embora outras medidas sejam anunciadas – e que foram muito adiadas, por conta de burocracia estatal – a ideia oficial é a de despoluir 80% da Baía até os Jogos Olímpicos. Contudo, o ceticismo é total e o legado da grande competição internacional para a Baía e as Lagoas do Rio ainda é um mistério.

Ou seja, se está assim na Copa, imagina nas Olimpíadas!

Fonte foto: Marco Cavallo