1,4 milhão de assinaturas são entregues no Congresso para o Desmatamento Zero

Greenpeace contra o desmatamento

Tanto o governo quanto o congresso têm estado, digamos, ocupados por conta das recentes denúncias na Lava Jato, espetacularização do Tribunal de Contas da União (TCU) e contas secretas na Suíça, o que deixou em segundo plano temas importantes ocorridos na data de ontem, 7 de outubro, e dentre o mais importante, a entrega da sugestão legislativa do Greenpeace sobre o desmatamento, acompanhado de um abaixo-assinado com mais de 1 milhão de assinaturas.

Essa é a primeira vez que o povo brasileiro leva uma proposta com este fim para a chamada “Casa do Povo” em Brasília.

Infelizmente, por conta dos assuntos citados acima, o assunto não recebeu a atenção que merece, mas fazemos a nossa parte aqui e contamos com vocês para se juntarem às ONGs, artistas, entidades religiosas e aos mais de 1,4 milhão de homens, mulheres e até mesmo crianças, que assinaram o documento e também estiveram presentes no Salão Verde do Congresso Nacional para exigir o Desmatamento Zero!

O ato de entrega do documento ocorreu na tarde de ontem, 7 de outubro e contou com a presença de personalidades como os atores Caio Blat, Jorge Pontual, Paulo Vilhena, Maria Paula, a pintora e cantora Luísa Matsushida (Lovefoxxx) e da funkeira Valesca Popozuda.

“Verdadeiramente acredito que podemos criar um futuro melhor para nossos filhos e para as gerações futuras protegendo os maiores bens do planeta Terra. Se cada um fizer a sua parte, construiremos esse futuro juntos", defende Letícia Spiller, atriz e embaixadora do Greenpeace pelo Desmatamento Zero.

Com a intenção de marcar o evento na memória de todos, o Greenpeace realizou uma intervenção artística no Salão Verde do Congresso com montagem de um mural de 2,16 de altura por 6,71 de comprimento, formada por mais de 6 mil fotos enviadas pelas pessoas que colaboraram com a campanha, com a mensagem “Desmatamento Zero já!”.

“São milhares de brasileiros dizendo que não toleram mais o desmatamento. Entregamos este projeto ao Congresso e está na hora deles refletirem o desejo da população. Temos espaço para nos desenvolver sem derrubar nossas florestas”, diz Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace. “A democracia se faz com a garantia de acesso aos recursos naturais à todos, destas e das futuras gerações. Por isso, acabar com a destruição de nossas florestas é essencial”, afirma.

Há pouco tempo várias ONGs brasileiras publicaram um manifesto à favor do Desmatamento Zero. As entidades entendem que as mudanças climáticas e outros efeitos sentidos na natureza, como a seca, exigem medidas que impeçam o desmatamento total. E se o argumento ambiental não é o suficiente, a proposta também relata os prejuízos na ordem financeira do país. Em 2020, se a situação continuar assim, a produção agrícola, carro chefe da economia brasileira, pode sofrer um impacto negativo de 7,4 bilhões de reais por causa da redução das chuvas.

“Este projeto reabre uma discussão importante aqui dentro, para que possamos confrontar aqueles que não tem noção dos direitos difusos da sociedade e até dos seus próprios benefícios, como os ruralistas, que também saem perdendo com o desmatamento, já que a destruição florestal prejudica o regime de chuvas”, aponta o deputado José Sarney Filho, (PV/MA), líder da Frente Parlamentar Ambientalista. “Espero que o projeto possa mobilizar e sensibilizar o Congresso Nacional. É um momento importante para que possamos continuar pressionando, não apenas por pequenas mudanças e costuras de apêndices, mas pensar em uma mudança profunda”, afirma Dom Guilherme Antônio Werlang, da CNBB.

Que os atuais problemas não distraiam o governo dos compromissos assumidos na última reunião de cúpula da ONU, mas também que as ações possam ser intensificadas com o abaixo-assinado entregue pelo Greenpeace e, quem sabe, o Brasil consiga chegar ao Desmatamento Zero antes de 2030.

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Fonte foto: fotospublicas.com