Brasil pode reduzir suas emissões de gás estufa até 2030

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Existem acordos mundiais (ou tentativas de acordos) em andamento para reduzir a emissão de gás estufa até o ano de 2030, mas é bom dar um “empurrão” nessa história sempre que possível não é mesmo?

Pois foi isso que o Observatório do Clima revelou em uma conferência em Bonn, na Alemanha, na qual apresentou uma proposta da sociedade civil brasileira para que o governo limite suas emissões de gases de efeito estufa a 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono em até 2030. O documento recebeu o nome de INDC da Sociedade Civil, sugere a neutralidade de carbono no mundo até 2050, reduzindo assim o risco de mudanças climáticas graves.

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Viviane Romeiro, integrante do World Resources Institute (WRI) e do Observatório do Clima, falou sobre o assunto. Viviane revelou que a conferência na Alemanha foi uma preparação para o encontro em Paris que irá tratar do tema com as principais potências mundiais na 21ª Conferência do Clima das Nações Unidas.

Para chegar ao 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono em 2030, Viviane afirma que a proposta contém diversas sugestões para alcançar este objetivo, entre eles o desmatamento zero na Amazônia em 2030. Não apenas o desmatamento ilegal zero, mas o desmatamento total acabaria até 2030 pela proposta.

No aspecto da energia, o documento recomenda aumentar em 40% a utilização de energias renováveis, principalmente a eólica e a solar na matriz energética e também aumentar a eficiência no processo de agricultura.

A questão da melhoria energética é vista como fundamental no documento e a dificuldade do governo de implantar com mais rapidez essas duas formas de energia renovável, especialmente a solar, pois a eólica caminha razoavelmente bem no país, são os grandes entraves para diminuir a emissão dos gases geradores do efeito estufa. Viviane critica a lentidão em relação à energia solar por conta do potencial extraordinário que o Brasil possui para a exploração dessa matriz energética.

O Observatório do Clima é uma rede de 37 organizações não-governamentais que trabalham para o clima, questões de energia, meio ambiente e água.

Viviane e o Observatório do Clima não escondem que a meta é ambiciosa e difícil de ser posta em prática, mas afirma categoricamente que ela é factível, pois embasada em estudos de profissionais do ramo e que o potencial do Brasil para utilizar outras formas de energia renovável. Isso somado a obrigação de melhorar a eficiência dos processos de agricultura e eliminar o desmatamento da Amazônia fariam com que o Brasil atingisse a meta de somente 1 bilhão de toneladas de dióxido de carbono em 2030.

Parece muito ainda, mas já faria uma grande diferença para o meio ambiente.

Veja a proposta e a nota técnica apresentadas pela organização.

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