Deslizamentos: um sistema brasileiro para prever em tempo

Deslizamentos de encostas, casas construídas em áreas de risco, bairros inteiros que se desmoronam quando as chuvas são tão intensas que encharcam o solo e este, bem, escorrega. Esta é a realidade de muitas cidades brasileiras construídas em encostas de morros.

Mauá, na Grande São Paulo, é a primeira cidade brasileira a receber uma Estação Total Robotizada (ETR) que é um equipamento de alta tecnologia para monitorar, com maior precisão, a movimentação de terra nas áreas vulneráveis a deslizamentos. A ETR é um sensor geotécnico, cuja implantação faz parte do Projeto de Sensores Geotécnicos de Pesquisa e de Monitoramento dos Morros para Prevenção de Deslizamentos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

Após o lançamento da tecnologia, em módulo experimental em Mauá, outros 8 municípios brasileiros, em várias regiões de risco, receberão também instalações semelhantes. São eles: Santos(SP), Recife (PE), Salvador (BA), Blumenau (SC), Angra dos Reis (RJ), Nova Friburgo (RJ), Petrópolis (RJ) e Teresópolis/RJ.

Todas essas cidades mencionadas foram muito afetadas por deslizamentos graves em 2010/11 que causaram inúmeras perdas humanas e materiais.

Este projeto de monitoramento de encostas tem um custo de R$ 1,1 milhão para cada conjunto de equipamentos instalados.

A ETR emite um sinal a laser, que é refletido por 100 prismas instalados nos morros e encostas do município e, esses dados permitem captar até pequenas movimentações de terra, em 360º graus, cobrindo uma área de até 2,5 km de extensão.

Junto com a ETR, será instalado também um conjunto de equipamentos para coleta de dados pluviométricos e de água no solo, com os quais será complementada a análise de previsão de riscos.

O sistema de Mauá será instalado no bairro do Jardim Zaíra, com dispositivos de controle em 150 casas e os equipamentos serão operado em parceria com a Defesa Civil do município. Na área monitorada vivem 20 mil pessoas. “A área do Zaíra, que nos preocupa muito, está toda coberta. Com esse equipamento, vamos conseguir monitorar”, destacou o coordenador local da Defesa Civil.

Tanto Mauá, como os municípios cariocas onde os sistema serão implantados tiveram mortes causadas pelas chuvas no verão de 2010/2011. A proporção dos desastres, em especial no estado do Rio de Janeiro, motivou a própria criação do Cemaden. Um projeto-piloto do sistema foi instalado no ano passado em Campos do Jordão (SP), onde os pesquisadores puderam acompanhar o desempenho operacional dos equipamentos e a análise dos dados.

Paralelamente a este projeto governamental orientado pelo CEMADEN, outras tecnologias para prevenção de desastres naturais também estão sendo testadas.

A Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro está realizando testes com a empresa japonesa NEC, de uma ferramenta que permitirá, segundo afirmam os técnicos, a previsão de até 3 dias, em situações de deslizamentos importantes de terra.

Esta iniciativa é pioneira na América Latina e foram feitas nas encostas do Morro da Formiga e do Morro da Cotia, na Tijuca, no período de chuvas. A ferramenta em questão usa a modelagem numérica estudando cenários possíveis, fundamentados na análise das condições de estabilidade das encostas, dados sobre o solo, ocupação e precipitações. O uso de dados reais possibilita o ajuste do modelo para que a previsão de situações de risco iminente seja detectada.

“A ferramenta utilizou instrumentos e dados da cidade, como pluviômetros, mapeamento geológico, radar, etc, fazendo uma análise inteligente e gerando informações importantes, que poderão auxiliar o gestor quanto ao envio dos alertas e acionamento do sistema de alarme nas áreas com risco iminente de deslizamento”, informa Márcio Moura Motta, subsecretário da Defesa Civil da Cidade do Rio de Janeiro.

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Fonte foto: wikipedia.org