O desperdício de água nos dias de hoje

desperdício de água

Hoje foi anunciado pela Sabesp o 21º dia consecutivo em que o Sistema Cantareira tem alta em seu nível de água. Detalhe: não chove há grandes precipitações na região desde o último final de semana. Isso ocorre por conta das fortes chuvas de fevereiro e março que encheram os mananciais, rios e outros que também abastecem os reservatórios. Notícias que faz a população, e até mesmo as autoridades, ficarem aliviados, afinal, teremos água até o próximo verão!

Não é bem assim. Essa comodidade, o pensamento de que a água é um recurso infinito, é uma das principais razões para o Brasil desperdiçar mais de 6,5 bilhões de metros cúbicos de água tratada somente no ano de 2013. Um absurdo em qualquer tempo, não apenas em período de estiagem do Sudeste, pois o semiárido nordestino, e várias outras partes do planeta, sofrem com a escassez todos os anos e não só agora.

O levantamento, intitulado como “Perdas de Água: Desafio ao Avanço do Saneamento Básico e à Escassez Hídrica”, foi feito pelo Instituto Trata Brasil em parceria com a GO Associados, e que tem como fundamento os dados mais recentes do Ministério das Cidades, especificamente no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS – ano de referência 2013).

Para se ter uma noção mais exata do desperdício. O volume jogado fora equivale a 6,5 vezes o Sistema Cantareira, o maior do estado de São Paulo, ou 7.154 piscinas olímpicas perdidas todos os dias, ou ainda 17,8 milhões de caixa d’água de mil litros perdidas todos os dias.

No aspecto financeiro, que talvez motive mais as pessoas e as autoridades a utilizar melhor este recurso, o prejuízo é superior a 8 bilhões de reais. O valor corresponde a cerca de 80% dos investimentos nacionais em água e esgoto no mesmo ano. O estudo também apurou que, se as perdas fossem diminuídas em 15% em até cinco anos, os ganhos financeiros seriam de 3,85 bilhões de reais.

Por regiões, o Centro-Oeste perdeu o equivalente a 35,22%, o Nordeste 45,03%, Norte 60,59%, Sudeste 36,09% e Sul com desperdício médio de 34,68%.

Todos estes dados configuram o Índice de Perdas de Faturamento Total (IPFT) nacional, que ficou em 39,07% como média de toda água desperdiçada no Brasil.

Houve também uma comparação sobre o desperdício atual com os dados de dez anos atrás, revelando uma pequena evolução nas ações contra a perda inútil de água, mas ainda muito aquém do necessário. Em 2004 a perda ficou 42,2% contra os 39,07% de 2013.

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