Conferência da ONU para desastres naturais

Conferência da ONU para desastres naturais

Depois de duas longas e árduas negociações, com duração de 30 horas no total, e realizadas na III Conferência Mundial das Nações Unidas, os representantes de 180 países conseguiram assinar, ontem, dia 18, em Sendai (noroeste do Japão) um plano de prevenção de desastres da ONU para os próximos 15 anos. O plano consiste em impulsionar a cooperação internacional na tentativa de reduzir as ameaças que a mudança climática representa para o mundo.

Tais ameaças se traduzem em desastres naturais de todos os tipos, enchentes, furacões, tsunamis e todo tipo de fenômeno natural que resulta em mortes, deslocamentos e destruição de moradias e infraestrutura.

Na tentativa de reverter este quadro, cujas partes reiteraram a “a necessidade crítica e urgente” de tentar mudar, antecipar e diminuir o máximo possível os efeitos das mudanças climáticas para proteger os países, comunidades e pessoas envolvidas no processo.

Na conferência, realizada em cinco dias na cidade japonesa vítima do tsunami de março de 2011, sete metas foram aprovadas, quatro prioridades e um conjunto de princípios orientadores, afirmando que somente um esforço grande e muita perseverança trará a diminuição dos desastres naturais até 2030.

Durante a conferência, uma questão específica trouxe dificuldade maior para o entendimento entre as partes: dinheiro!

A assinatura do plano demorou mais horas do que o previsto quando a falta de compromisso financeiro dos países desenvolvidos não foi acertada rapidamente, assim como quanto será destinado às nações com menos recursos para cumprir com as metas do plano.

Na falta de um entendimento melhor, as partes não fecharam concretamente um acerto sobre os valores cedidos para as nações mais pobres e que mais sofrem com os desastres naturais.

De acordo com informações da Agência Efe, fontes anônimas da delegação espanhola afirmaram que a reunião se tornou “árdua” no momento em que foi posto em pauta a gestão de desastres, normalmente uma competência de cada país, o que configuraria um cenário de difícil controle sobre o gasto exato e correto do dinheiro dispensado pelo grupo a diferentes países.

Por conta disso, várias ONGs criticaram a ambiguidade da linguagem do acordo no aspecto financeiro, mas não sem registrar a importância de sua assinatura:

"Durante os passados dias, vimos como os países ricos iam gradualmente reduzindo seus compromissos para dar dinheiro aos países em desenvolvimento a fim de que se preparem para responder ao aumento de desastres nucleares e ao impacto da mudança climática", apontou Harjeet Singh, responsável de mudança climática de ActionAid.

A falta de números concretos foi mais um motivo para críticas por parte das ONGs, pois o acordo fala em "reduzir substancialmente a mortalidade dos desastres e o número de pessoas afetadas em nível mundial para 2030", sem especificar números.

Os números dos desastres nos últimos doze anos assustam. Aproximadamente 1,2 milhão de pessoas pereceram e 2,9 bilhões de pessoas foram afetadas pelos desastres, segundo dados da ONU, além de determinar a perda de 1,7 trilhão de dólares.

A conferência mundial contou com cerca de 6.500 participantes, incluindo 2.800 representantes do Governo de 187 países. O Fórum Público teve cerca de 143 mil visitantes nos cinco dias da conferência, tornando-a num dos maiores eventos da ONU já realizados no Japão.

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