Cientistas criticam algumas formas de combate à mudança climática

Cientistas criticam algumas formas de combate à mudança climática

A frase “Rio 40 graus” tornou-se ultrapassada nos últimos dois verões, pois lá agora a sensação térmica chega tranquilamente aos 50 graus Celsius. A região Sudeste sofre com a pior seca dos últimos 84 anos. Estes são apenas dois, dos vários exemplos possíveis, de como a mudança no clima afeta nossas vidas cada vez mais. Impossível de ser ignorada, nossa atenção fica agora voltada para o que as autoridades mundiais e os cientistas pensam para solucionar o problema da mudança climática.

As várias tentativas de criar um acordo global para diminuir a emissão de gases do mundo inteiro, até agora, fracassaram. Esses fracassos motivam mais e mais cientistas a buscarem alternativas para solucionar a questão.

Infelizmente, na semana passada, algumas “soluções” para o aquecimento global foram criticadas publicamente pela Associação Nacional de Ciências dos Estados Unidos (NAS na sigla em inglês). A alternativa repudiada é referente a ideia de aprisionar poluentes em usinas termelétricas e jogar na atmosfera substâncias que refletiriam a luz do Sol.

Nos dois estudos divulgados pelos cientistas da NAS, essas soluções foram classificadas como “imaturas” e sem o controle e a tecnologia para fazê-las funcionar.

Uma das soluções mais utilizadas, seria adaptar as usinas termelétricas, movidas a carvão e que soltam gases nocivos para o clima, e fazer um filtro para o Sol. Entretanto, os cientistas da NAS afirmam que essa ideia possui um custo muito alto e os resultados demorariam muitos anos para aparecer.

O coordenador de Clima e Energia do Greenpeace, Ricardo Baitelo, concorda com as afirmações do NAS, que também corrobora com a ideia de que a técnica avançou muito pouco para se tornar a alternativa de salvação do clima terrestre.

“A verba utilizada a estes projetos seria mais bem aplicada em energia renovável. É mais fácil prevenir do que remediar. Não vamos apostar em tecnologia que é cara e dá carta branca para aumentarmos a emissão de poluentes”, afirma Baitelo para O Globo.

A comunidade científica analisa que essa alternativa seria como dar um “analgésico para um câncer”, quando na realidade é preciso uma cirurgia para conter a doença, que só voltará mais forte com o tempo.

O Comitê de Geoengenharia da NAS também concorda com essas análises e recomenda que os valores pensados para o filtro de emissão de gases sejam gastos para custear a troca de combustíveis fósseis por energias renováveis, como a energia eólica e a energia solar. Infelizmente, o forte mercado dos combustíveis fósseis não deve deixar que essa medida seja aplicada tão cedo no mundo.

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