Entre 200 países, Brasil, 7ª economia mundial, ocupa a 112º posição no ranking do saneamento básico

Brasil ocupa a 112º posição no ranking do saneamento básico

Um estudo feito em 2011, mas somente divulgado quarta-feira, 19, pelo Instituto Trata Brasil e pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável apontou que o Brasil ocupava a 112ª posição no ranking internacional de saneamento entre outros 200 países. O objetivo do estudo foi apontar os benefícios que poderiam ser obtidos através de maiores investimentos em saneamento.

A posição é tão ruim que ficou abaixo de países do Norte da África, do Oriente Médio e da América Latina que têm rendas per capita inferiores as do Brasil.

No nordeste, 13,5 milhões não contavam com saneamento e em mais de 6 milhões de lares não havia água tratada. O estado da Bahia registrou o maior número de residências sem coleta (3,3 milhões), seguido pelo Ceará (1,9 milhão).

No Sul, mais de 6,4 milhões de residências não contavam com os serviços e os estados de maiores déficits foram o Rio Grande do Sul com 2,8 milhões e Santa Catarina com 1,9 milhão. No sudeste foram apresentados os melhores índices de cobertura, porém ainda existiam 8,2 milhões de moradias sem coleta.

A falta de saneamento básico afeta diretamente a saúde da população, a produtividade do trabalhador, o aprendizado de crianças e jovens e prejudica o interesse turístico das regiões que sofrem com o despejo do esgoto. O estudo destacou que se houvesse cobertura ampla do saneamento básico, as internações por infecções gastrintestinais diminuiriam de 340 mil para 266 mil, resultando em uma redução de aproximadamente R$121 milhões.

O saneamento amplo traria uma economia em torno de R$ 27,3 milhões aos cofres públicos. Pois além da economia com a saúde, o país teria uma queda de R$258 milhões por ano originados a partir dos afastamentos do trabalho ou escola – causados por doenças provocadas pela ausência de saneamento. Além de criar possibilidade da dinamização do turismo, com a criação de quase 500 postos de trabalho com renda anual de R$7,2 bilhões em salários.

Essa deficiência em infraestrutura prejudica a posição do país nos principais índices de desenvolvimento, como o de mortalidade infantil e longevidade da população.

Devido aos desafios em relação ao saneamento básico, a Universidade Técnica de Hamburgo, Harborg, está desenvolvendo um protótipo de vaso sanitário que pode ajudar a melhorar a higiene nas regiões mais frágeis em infraestrutura. O vaso contém compartimentos para armazenar papel higiênico, excrementos e água de uma família de quatro pessoas por uma semana. Uma solução feita com bactérias do leite e do açúcar faz com que os resíduos, depositados no vaso, não poluam o ar e ao mesmo tempo, fermentem o ácido láctico, acabando com os agentes capazes de gerar as patologias que afetam a saúde humana.

É notória a importância do saneamento básico para a melhoria da qualidade de vida e segundo o estudo, o saneamento também afeta a economia brasileira. Agora o próximo passo é a adoção de uma postura ativa para mudar o cenário atual, e projetos como o da Universidade Técnica de Hamburgo são muito bem-vindos.

Fonte foto: Stock.Xchng