Greenpeace denuncia madeira brasileira na Europa e empresas locais rompem negócios com o Brasil

Greenpeace denuncia madeira brasileira na Europa

Um navio de carga abarrotado com madeira de origem amazônica foi descoberto por ativistas do Greenpeace. A ação ocorreu quando o navio estava para ancorar na Holanda, no Porto de Roterdã. Suspeita-se fortemente que madeira tenha sido exportada pela serraria brasileira Rainbow Trading – que há havia sido denunciada pelo Greenpeace, pelo comércio de madeira ilegal.

Os ativistas estenderam uma faixa com palavras de ordem. A carga havia sido adquirida pela Leary Produtos Florestais uma empresa com sede na Bélgica e tem como destino as empresas Lemahieu e Omniplex, também do mesmo país.

O Greenpeace solicita às autoridades europeias o cumprimento do European Union Timber Regulation (EUTR)legislação que impede a importação de madeira ilegal para o mercado europeu. De acordo com o que preconiza o EUTR, empresas da União Europeia estão proibidas de importar madeira ilegal e são obrigadas a adotar medidas adicionais para garantir a origem da mercadoria que estão comprando.

A investigação do Greenpeace

Usando dispositivos com GPS para rastrear caminhões, o Greenpeace expos uma rede de serrarias no coração da Amazônia que recebem a madeira ilegal transportada por esses veículos. Mostrou também que Planos de Manejo Florestal que supostamente abasteceram estas serrarias estavam, na verdade, sendo utilizados para fornecer a documentação necessária para acobertar madeira retirada de áreas sem autorização.

A denúncia resultou em uma operação da Secretaria de Meio Ambiente do Estado do Pará (Sema) no oeste do estado. a madeireira Odani Comercial de Madeiras, que fornece madeira para a Rainbow Trading, foi autuada, teve seu cadastro suspenso e a madeira, apreendida pelo uso comprovado de guias e licença da Sema para 'lavar' madeira ilegal.

Enquanto empresas na Bélgica continuam a comprar madeira de Rainbow Trading, empresas Stiho e LTL Woodproucts, da Holanda, assim como a francesa Rougier Sylvaco e a sueca Interwood anunciaram recentemente que deixariam de comprar, até que as investigações sobre o caso sejam finalizadas.

No dia 28 de novembro, foi firmado um TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para melhorar a atividade madeireira no estado. O Ministério Público Federal do Pará, Ibama, Sema, Associação dos Engenheiros Florestais do Pará (APEF), representantes do setor produtivo assinaram o acordo.

Outro lado da questão

Em sua defesa, a empresa Rainbow Trading relata que tem provas da procedência legal da madeira, e partiu para o ataque contra o Greenpeace, declarando que é uma tentativa de paralização de um negócio que, segundo a empresa, é fundamental para o desenvolvimento da floresta, pois retira pessoas da miséria.

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