Projeto internacional busca medir a relação entre poluição atmosférica e a formação de nuvens e chuva na Amazônia

a relação entre poluição atmosférica e a formação de nuvens e chuva na Amazônia

Um projeto de pesquisa internacional, cujo objetivo é o de investigar os aerossóis resultantes das emissões de hidrocarbonetos e a influência desse tipo de emissão na formação de nuvens e de chuva na Amazônia, foi apresentado por seus coordenadores no Simpósio FAPESP-U.S. Collaborative Research on the Amazon, realizado nos dias 28 e 29 de outubro, na Capital dos EUA, Washington.

O projeto, que faz parte da Green Ocean Amazon, foi intitulado Goble (de GOAmazon Boundary Layer Experiment), e deu destaque aos aerossóis secundários presentes tanto em ambientes limpos, como em ambientes poluídos na Camada Limite Atmosférica da Amazônia.

O que são aerossóis?

Aerossóis são materiais particulados presentes na atmosfera, que podem vir de fontes primárias – sejam naturais, poeiras de desertos ou erupções vulcânicas, ou antropogênicas, de queimadas ou combustão fóssil – ou de fontes secundárias –, de mecanismos de condensação de produtos gasosos, como aerossóis de sulfato, de nitrato ou orgânicos.

Como são realizadas as pesquisas?

Os pesquisadores utilizam torres e balões para medir a distribuição vertical dos aerossóis e dos núcleos de condensação de nuvens na Camada Limite Atmosférica. Assim, faz-se um perfil completo dos aerossóis pela CLA e posteriormente com a modelagem computacional para analisar o transporte turbulento desses elementos, pelas camadas de nuvens.

Os estudos vêm sendo conduzidos em duas regiões na Amazônia Central: uma com ar e paisagem de floresta primitiva e outra próxima à cidade de Manaus, que é influenciada pela poluição.

Os pesquisadores têm realizado medições com balão em uma área denominada T1 pelo projeto GoAmazon, ocupado por floresta primitiva. O balão pode atingir até 1.800 metros de altitude – o que é importante para avaliação das condições termodinâmicas na Camada Limite Atmosférica. Também são utilizados sensores para ozônio, monóxido de carbono, dióxido de enxofre, óxidos de nitrogênio e hidrocarbonetos.

Objetivos da iniciativa científica

Um dos objetivos do projeto é entender melhor como a cobertura florestal pode influenciar a formação de nuvens, especialmente como o ar da camada limite é injetado na camada de nuvens, e como esses processos são alterados sob a influência da poluição de uma cidade como Manaus.

Além disso, busca-se entender a estrutura da turbulência na floresta, ou seja, como a floresta realmente influencia o fluxo de ar, entre as copas das árvores e acima das mesmas.

Assim, pretende-se atingir uma melhor compreensão da química atmosférica e da formação de aerossóis. Há ainda medição de aerossóis e como tais partículas se tornam os núcleos de condensação das nuvens.

Os resultados do projeto também serão usados no Modelo Climático Brasileiro, que vem sendo desenvolvido pela comunidade científica brasileira.

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