Agrocídio: agrotóxicos matam

Agrocídio: agrotóxicos matam

A fábrica de agrotóxicos Chemtec, instalada recentemente em um bairro de Assunção, no Paraguai, tem se revelado “agrocida”. Esse “adjetivo” foi dado em razão da morte de um menino de 11 anos, por intoxicação, e da mudança na vida de uma série de famílias que vivem na região.

O Ministério da Agricultura paraguaio, chefiado por Jorge Gattini, declarou, há pouco – e de maneira surpreendente, já que é algo notório em todo o mundo –, não haver estudos conclusivos sobre os malefícios do uso de agrotóxicos.

Especialistas passaram a exigir do governo paraguaio uma posição mais humana sobre o assunto, já que não são as vítimas que precisam conseguir provar a culpa de seus agressores, mas sim, as empresas provedoras do produto que necessitam comprovar a segurança e salubridade de sua produção. Pedem, inclusive, a substituição imediata do ministro paraguaio Gattini.

Inclusive, os agrotóxicos produzidos pela Chemtec são reputados, por alguns ambientalistas, não como, de fato, itens agrícolas, mas sim, elementos de guerra. Não é difícil lembrar do caso do próprio DDT, que já foi utilizado como elemento de combate da malária, e que foi posteriormente proibido por governos em todo o mundo, conforme estudos específicos realizados sobre o efeito do gás.

O Paraguai é um dos campeões mundiais na produção e exportação de soja. O grande ponto é o que é feito para preservar seu plantio: aplica-se, em geral, um coquetel que reúne herbicidas e inseticidas, em uma combinação perigosíssima para a vida vegetal – como também para a própria saúde humana. O herbicida, por exemplo, é o glifosato, fabricado pela polêmica Monsanto, que não é composto somente por esse elemento, mas apresenta coadjuvantes igualmente nocivos – Ampa e Poea – em um tipo de agrotóxico chamado Roundup Ready, fabricado por laboratórios dos Estados Unidos.

No Paraguai, o Roundup Ready foi categorizado erroneamente, ainda segundo ecologistas, para favorecer as vendas mais amplas do produto, uma vez que o mesmo seria, segundo a chancela oficial, menos nocivo à saúde humana e à lavoura, do que é, em realidade.

Exatamente daí que vem o termo “agrocídio”, criado por ambientalistas, como forma de alertar que o bombardeio de gases “agrotóxicos” podem, além de causar danos ambientais diretos às lavouras, ceifar vidas humanas.

E a questão envolve, como era de se esperar, um poderoso lobby parlamentar, para que a empresa continue impune e fabricando esse tipo de elemento venenoso à natureza e às pessoas.

Qualquer semelhança com a situação do agronegócio no Brasil, jamais seria mera coincidência. Esperamos pelo dia em que a natureza não ficará, em segundo plano, em relação aos interesses político-corporativos.