Agrotóxico no Brasil se chama agora produto fitossanitário!!!

O capital, as corporações, fazem de tudo para manter seu domínio, até mudar o nome das coisas para ver se a gente esquece do mal que elas fazem. Isso fizeram agora, na América Latina inteira, com o nome do agrotóxico. Mudam o nome, o conteúdo, o conceito, permanece, pernicioso.

 

Absurdo dos absurdos, a representação brasileira no Parlamento do Mercosul (Parlasul) aprovou substituir o termo agrotóxico pelo de produtos fitossanitários. E isso vira lei no que tange a produção rural. Dizem eles que, assim, o Brasil alinha, em nomenclatura, com a que se usa nos outros países do Mercosul. Subserviência pouca é bobagem!

“O projeto tem objetivo de facilitar os negócios de produtos brasileiros no Mercosul, alinhando as nomenclaturas usadas pelos produtores agrícolas brasileiros e os de países vizinhos”, dia a nota divulgada pela Frente Parlamentar Agropecuária (FPA). A proposta de tal absurdo foi apresentada por Álvaro Dias, atual PV-PR, antes PSDB,como se sabe, e a relatoria foi do senador Daria Berger (PMDB-SC).

A Monsanto bate palmas, com certeza, e os senadores, bem... paremos por aqui.

E, pasmem! Qual a justificativa que o senador Álvaro Dias esgrimiu para a troca de nomes de um venenoso conceito? Disse ele que “o simples uso da palavra agrotóxico moldurando os produtos fitossanitários, já representa uma campanha de marketing negativa para a produção rural”. Sim, que o nome “agrotóxico” para algo tóxico e usado no setor agrícola, é uma contrapropaganda ardilosa e que esta alteração só favoreceria os negócios com o poder público. “Melhorar as condições de competição para os produtores do Brasil é de fundamental relevância”. Ahá, negócios, sim, claro! E os interesses, é óbvio.

Bem, fique atento! Agrotóxico continua sendo agrotóxico, veneno contaminante de nossas águas e vida, mortal para nós e todos os outros seres vivos, de uma ou outra maneira, só que agora tem um nome que pode enganar alguns.

Continue atento, amigo do campo, e se usar agrotóxico em suas lavouras, não deixe de usar seus EPIs, cuidar do descarte dos envases, não contaminar águas (não lavar vasilhames) e não usar mais do que o mínimo indispensável. Mas, o melhor mesmo é você começar a pensar, seriamente, em adotar a agricultura orgânica que tão bons resultados vem dando pelo mundo afora. Melhor para você, sua família, seus animais e também, para nós que compramos seus produtos.

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Fonte: http://revistagloborural.globo.com/Noticias/Politica/noticia/2016/03/parlamentares-brasileiros-aprovam-retirada-do-termo-agrotoxico-de-lei.html