Cacau no Brasil: cultivo sustentável, renda e recuperação de áreas florestais

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Em pesquisa inovadora, mestrando da Escola Superior de Piracicaba – ESALQ/USP afirma que os sistemas agroflorestais com cacau são uma forma de combater o desmatamento, gerar renda e cuidar do solo na Amazônia.

O trabalho de mestrado do engenheiro florestal Daniel Palma Perez Braga, consistiu em pesquisar os sistemas agroflorestais do cacau em São Félix do Xingu (SAF- cacau) como alternativa ao uso do solo, pela agricultura familiar. Os resultados surpreenderam.

O pesquisador vivenciou a realidade local por cinco meses e, residiu com cada produtor durante uma semana a fim de coletar os dados necessários. Essa proximidade absoluta da realidade da produção cacaueira na região, lhe permitiu uma melhor compreensão das alterações e limites da proposta do SAF- cacau como forma de recuperação de áreas degradadas, e seus benefícios efetivos.

Foram avaliados diversos aspectos da vegetação, de sua estrutura florestal e diversidade florística, e do solo, como fertilidade e composição de macroinvertebrados, em comparação com áreas de pastagem e de floresta madura.

Segundo a percepção dos próprios produtores, o SAF – cacau se mostra de 2,5 a 4 vezes mais rentável do que a pecuária e, no entanto, só ocupa 1/7 da área desta em suas propriedades. Esta percepção de maior rentabilidade adquire grande importância comparativa já que a pecuária, como é sabido, tem uma durabilidade útil na região amazônica de poucos anos, não ultrapassando os 5 anos de pastagem, deixando a região ocupada em erosão acelerada.

Já o cacaueiro é um cultivo permanente, compondo-se em equilíbrio com o ecossistema florestal nativo de entorno. Por outro lado, esse estudo comprovou que o pasto detém menor teor de matéria orgânica no primeiros 20 a 40 cm de solo e a floresta, mesmo plantada, tem esse teor aumentado significativamente.

Outra percepção resultante desta pesquisa é de que nas florestas nativas e nos sistemas agroflorestais, a densidade de macroinvertebrados do solo se mantém mais estável do que no pasto, em razão do desequilíbrio sazonal entre o verão e o inverno, neste último.

Uma das conclusões apontadas pelo pesquisador é de que, “considerando as variáveis estudadas de estrutura florestal, o SAF – cacau possui um alto potencial de recuperação de áreas degradadas”.

Foram estudadas variáveis como riqueza, diversidade e composição de espécies arbóreas e, nestas, o SAF –cacau se mostra aquém das florestas, por tratar-se de um cultivo mais homogêneo. Mas, mesmo assim, essas variáveis podem ter seus níveis melhorados pela adoção de técnicas de manejo e planejamento.

Segundo o pesquisador, este estudo se propõe estimular a aplicação de sistemas agroflorestais na ampliação das áreas cacaueiras, direcionando estas para as áreas já degradadas e valorizando o manejo aplicado pela agricultura familiar.

Porém, ressalta que “em nenhuma hipótese deve-se estimular a derrubada de florestas para a implantação de novas áreas de SAF-cacau, principalmente considerando que, atualmente, todo desmatamento em São Félix do Xingu é ilegal e que existem inúmeras áreas abertas passíveis de recuperação”.

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Fonte foto: wikipedia.org