Sobe 162% o uso de agrotóxicos no Brasil

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Em apenas doze anos, o setor agrícola aumentou em 162% o uso de agrotóxicos nas lavouras brasileiras. A comparação foi feita entre os anos de 2000 e 2012, quando na última data, o Brasil comprou 823.226 toneladas de agrotóxicos, muitos deles proibidos em vários países, totalizando o aumento exato de 162,32%. Os dados podem ser conferidos no Dossiê Abrasco – Um Alerta sobre os impactos dos Agrotóxicos na Saúde, lançado no dia 28 de abril pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), em evento na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

A título de comparação, tal volume equivale ao consumo de 5,5 quilos de agrotóxicos para cada brasileiro por ano. E isto não é uma suposição, pois trata-se dos alimentos que vão para nossas mesas, portanto, cada um de nós está, ao menos em parte, ingerindo algo próximo de cinco quilos de substâncias perigosas todos os anos provenientes dos agrotóxicos.

Este aumento, aponta o estudo, está relacionado à expansão da monocultura e dos transgênicos, o que contraria o discurso inicial de que os transgênicos diminuiriam o uso de agrotóxicos, pois eles seriam resistentes às pragas, mas a realidade aponta o caminho oposto.

Ao todo, 22 dos 50 princípios ativos mais utilizados no Brasil, em termos de agrotóxicos, estão banidos em vários países, o que evidencia o descontrole brasileiro no uso destas substâncias, tudo suportado no argumento de que o agronegócio segura a economia do país.

Entre os anos de 2007 e 2014, foram registrados mais de 34 mil casos de intoxicação por agrotóxicos, segundo números da ABA. Entre os problemas causados por esse tipo de intoxicação estão a malformação de feto, câncer, disfunção fisiológica, problemas cardíacos e neuronais.

O dossiê sustenta que é possível diminuir drasticamente o uso dos agrotóxicos sem prejudicar a produção nacional. Também propõe a implantação imediata de dez medidas:  implantação de uma Política Nacional de Agroecologia no lugar do financiamento público ao agronegócio; impulsionar debates internacionais e enfrentar a concentração do sistema alimentar mundial; banir os agrotóxicos já proibidos em outros países; rever os parâmetros de potabilidade da água, para limitar o número de substâncias químicas aceitáveis e diminuir os valores máximos permitidos e proibir a pulverização aérea de agrotóxicos.

Impressionante!

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