Como detectar os transgênicos naquilo que comemos?

detectar os transgênicos na comida

A questão dos alimentos transgênicos é muito forte quando se trata da saúde da humanidade. Seriam estes alimentos perigosos para a nossa saúde? Os organismos geneticamente modificados (OGMS) podem, sim, causar diversos danos à saúde nossa e à da natureza, como alergia e a poluição do meio ambiente. Pior, entre os alimentos transgênicos mais produzidos estão o milho, o trigo, a batata e o arroz que, ao lado do leite, integram o Top 5 do grupo de alimentos mais consumidos no mundo inteiro.

Pensando em zelar pela saúde da população mundial, uma iniciativa coordenada pela Universidade do Porto, em Portugal, está pesquisando novos nanobiossensores e outros dispositivos baseados em nanomateriais para analisar a presença de organismos geneticamente modificados.

Outras instituições de ensino e pesquisa colaboram com a universidade portuguesa. Entre elas o Instituto de Física de São Carlos (IFSC), da USP com o projeto batizado de “Monitoring Genetically Modified Organisms in Food and Feed by Innovative Biosensor Approaches”.

Além do Brasil outros centros de pesquisa da Espanha, França, Argentina e também de Portugal, participam do projeto. Todos sobre a coordenação da pesquisadora Cristina Delerue-Matos da universidade matriz.

O projeto oferece, além da troca de informações entre os profissionais da área, workshops para a disseminação do conhecimento obtido dentro da comunidade científica. Um exemplo disso ocorreu no mês de janeiro, o professor Valtencir Zucolotto, coordenador do Grupo de Nanomedicina e Nanotoxicologia, do IFSC, recebeu professora Beatriz Lópes-Ruiz, especialista na área farmacêutica e docente da Universidad Complutense de Madri, na Espanha.

Beatriz Lópes-Ruiz ficou impressionada com a estrutura do IFSC e se revelou muito esperançosa em relação com o impacto que o projeto pode alcançar, devido a mobilidade massiva despertada em torno da comunidade científica sobre o tema. A jovem pesquisadora Maria Cristina Freitas já finalizou o seu mestrado em Portugal e pretende iniciar seu doutorado nos laboratórios do IFSC, o que reforça o crescente interesse da comunidade científica e o intercâmbio entre os grupos da iniciativa.

Outro aspecto bastante positivo do projeto, se não o mais importante, é a sua contribuição à saúde pública. A melhoria nas técnicas que o IFSC e os outros grupos ligados a iniciativa, permitirão criar dispositivos que detectem a quantidade exata de transgênicos nos alimentos consumidos por você.

“Na União Européia existe uma legislação direcionada a alimentos biotecnológicos. Se um produto alimentício tem mais de 0,9% de transgênicos em sua composição, deve haver uma etiqueta alertando o consumidor”, explica a pesquisadora Maria Cristina.

Nos Estados Unidos, esse processo é facultativo a partir de 0,5%, enquanto que no Brasil a quantidade é raramente identificada nas embalagens dos alimentos. Mesmo assim, Maria Cristina acredita que o alerta nas embalagens poderá vigorar em nosso país: “No Brasil, já tenho encontrado muitos pacotes de alimentos com o alerta de transgênicos”, conclui a pesquisadora.

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