Banco mundial de sementes completa 10 anos com 700 mil espécies armazenadas

Banco mundial de sementes

Há dez anos, foi criado o Fundo para a Diversidade Global de Cultivos. A maior reserva de sementes já registrada no planeta, com o objetivo de pôr em pratica um sistema racional e econômico para a conservação dos recursos que sustentam toda a agricultura e alimentos para necessidades futuras. O armazém está localizado em um dos lugares mais seguros do mundo, Svalbard, na Noruega a 1.500 quilômetros do Polo Norte, uma região muito acima do nível do mar, em uma parte muito estável sem terremotos ou ameaças por instabilidade política, sendo o lugar mais seguro para conservar espécies que possam vir a salvar vidas, recriar a agricultura e matar a fome em caso de catástrofes.

Com o passar do tempo e com a forma de se fazer agricultura, fomos perdendo grande diversidade de culturas alimentares, perdendo, consequentemente, a capacidade de manter a agricultura produtiva e a nossa base biológica da cadeia alimentar. Por isso é importante a conservação das sementes em bancos de sementes mundiais.

A diversidade de cultura é um dos menos reconhecidos e mais valiosos recursos do mundo sendo usado para melhorar e adaptar as culturas para desafios futuros. Sendo a conservação da diversidade uma tarefa não tão cara e nem tecnologicamente complicada. O banco de sementes é financiado pelo governo da Noruega e pela ONG Global Crop Diversity Trust, que acredita que o financiamento é a chave para salvar muitas coleções de diversidade de culturas originais do mundo, hoje ameaçadas.

Desde a execução do projeto e a construção do banco de sementes, há seis anos, já foram reservados mais de 700 mil tipos de sementes. A carga mais recente recebida contou com 20 mil novas amostras internacionais, vindas inclusive do Brasil. É a segunda carga enviada pela Embrapa e ao todo, o Brasil garantiu a preservação de 264 linhagens de milho, 541 de arroz e 514 de feijão. A contribuição brasileira é importante para que o banco de Svalbard cumpra seu objetivo de alimentar um bilhão de pessoas a mais, nos próximos dez anos, em meio a mudanças climáticas.

O envio de amostras ao banco internacional precisa seguir alguns critérios na escolha das sementes, além de seguir um Tratado Internacional que estipulou uma lista de plantas prioritárias e culturas que fornecem a maior parte da ingestão calórica dos povos da Terra. É necessário verificar a qualidade genética da variação das sementes das culturas enviadas; o trabalho para a seleção é grande; é usada uma modelagem biométrica complexa, a fim de estabelecer quais acessos formam uma coleção essencial. Após essa etapa, é necessário regenerar os acessos para uma nova produção com alto índice de germinação e então as sementes selecionadas podem ser enviadas ao banco.

O banco de Svalbard tem capacidade para conservar 4,5 milhões de sementes, um sistema de resfriamento adequa a temperatura à -18ºC, ideal para a estocagem das amostras.

O tempo de sobrevivência das amostras ao congelamento é variável. A estocagem, sem danos ao material genético, depende da espécie da cultura, podendo variar de poucas décadas até centenas ou milhares de anos.

Imagine um filme sobre catástrofes naturais gigantescas, onde o mundo é devastado por vulcões, terremotos, maremotos, e que os sobreviventes teriam que restabelecer a vida no planeta. Desta vez o filme não acabaria com o aparecimento do sol e uma nova fonte de água límpida. Devido ao trabalho feito pelo Fundo para a Diversidade Global de Cultivo durante esses dez anos, é possível imaginar um novo final feliz, onde os sobreviventes alcançariam o banco global de sementes e um mundo novo se iniciaria, restabelecendo a agricultura e revivendo a diversidade mundial de espécies, livres dos transgênicos.

Fonte foto: Stock.Xchng