A dieta da proteína emagrece? Quais são os riscos? Responde um nutricionista

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dieta da proteína

Em uma busca por um corpo saudável ou por um estilo de vida menos agressivo à saúde, é comum que nos deparemos com os mais variados tipos de dieta que prometem inúmeros milagres. Dentre elas, têm se tornado cada vez mais comum os termos “dieta da proteína”, ou até mesmo a “dieta low carb”, que alegam ser capazes de reduções drásticas de peso em poucos dias. Mas, o que é a dieta da proteína, como ela é feita e quais os riscos que ela pode causar à saúde?

O que é a dieta da proteína

A dieta da proteína é um método de emagrecimento que, conforme o próprio nome enuncia, permite somente a ingestão de proteínas. Há atualmente inúmeras dietas baseadas no consumo estrito de proteínas, como por exemplo a famigerada dieta Dukan. Independente de qual seja, todas possibilitam que o paciente tenha uma grande perda de peso em poucos dias.

Como a dieta da proteína funciona

Dependendo da dieta da proteína escolhida, o método terá leve variação, porém sua eficácia será a mesma. Normalmente, a dieta da proteína consistirá em etapas progressivas de ingestão de proteínas no percurso de algumas semanas, evitando-se todo e qualquer alimento que possa prover carboidratos.

Desta maneira, conforme cessamos a fonte de carboidratos em nossa alimentação, o organismo precisa fazer uso da gordura corporal para manter a energia e força para atividades. O resultado de emagrecimento é então alcançado rapidamente, uma vez que sem fonte de carboidratos, o corpo se nutrirá de sua própria gordura, eliminando-a.

A dieta da proteína então se tornou popular, pois os resultados são evidentes. É comum ouvir relatos (muitas vezes comprovados), da possibilidade de se perder entre 7-8kg em apenas duas semanas seguindo apenas a dieta da proteína, sem nenhuma outra restrição.

Outro atrativo deste tipo de dieta é a quantidade de alimentos que podem ser ingeridos. Como o carboidrato é completamente eliminado durante a dieta, o consumo de alimentos é frequentemente livre, ou seja, o paciente pode comer a quantidade de proteínas que desejar, pois é um elemento que o organismo não usará para a formação de gordura.

Além disso, a dieta da proteína também tem alto nível de popularidade entre atletas e pessoas que praticam exercícios físicos, pois, a alta ingestão de proteínas favorecerá o desenvolvimento dos músculos de forma rápida, dando mais sustentação à ideia popular de que se trata de um tipo de dieta extremamente saudável.

Assim, é possível afirmar com clareza que fazer a dieta da proteína (ou “dieta low carb”, justamente por não ter carboidratos), pode resultar em impressionante perda de peso. No entanto, como veremos adiante, é necessário atenção, pois o organismo humano necessita de diferentes nutrientes para funcionar adequadamente.

Contraindicações – os riscos da dieta da proteína

Em termos gerais, o pleno funcionamento do organismo depende de carboidratos, proteínas, vitaminas, fibras e etc. O consumo restrito de proteínas (em especial a animal) pode resultar em diversos riscos para a saúde humana, conforme explica a nutricionista e bióloga Roberta Martinoli ao analisar o trajeto evolutivo da ingestão de alimentos:

“Os pesquisadores de medicina evolutiva especulam que os neandertais desapareceram há aproximadamente 30 mil anos atrás, porque, ao contrário do Homo sapiens, não tinham a estrutura bioquímica que lhes permitiam aproveitar a gordura corporal para nutrir o cérebro”, relata, ao fazer menção de como os carboidratos são essenciais para a saúde.

Roberta relata ainda que à época, havia a necessidade da beta-oxidação de ácidos graxos, justamente pela disponibilidade de alimentos, mas “hoje em dia, dietas definidas com altos níveis de proteína podem ser perigosas para a nossa saúde”. Ela destaca que este tipo de dieta que é conhecida como “oligoproteica”, ou seja, feita exclusivamente com baixas fontes de carboidrato, pode gerar a indução a um estado de cetose.

Conforme explica, a dieta da proteína “só deve ser realizada sob a supervisão médica (existem contraindicações para vários pacientes), e a primeira coisa a ser dita é que ela pode causar cetose, um estado metabólico que ocorre como resultado de jejum ou de uma pequena dieta. Em ambos os casos, há alteração no nível de glicose no sangue”, descreve Roberta, apontando os riscos iniciais.

Além disso, é compreendido que a adoção deliberada deste tipo de dieta pode ocasionar em graves problemas nos rins, uma vez que terão de exercer sobreforça na eliminação das toxinas. Com o tempo, há possibilidade de cálculos renais e pedras nos rins. Dentre os efeitos colaterais, é possível também citar a constipação, mau hálito, gota, dores de cabeça, cancro colorretal, e o tão desagradável efeito sanfona.

A melhor maneira de realizar uma dieta saudável é através da orientação de um médico ou profissional de saúde alimentar. Embora em termos amplos todos os organismos precisem dos mesmos nutrientes, cada corpo tem necessidades específicas que precisam ser supridas a fim de evitar doenças ou mazelas na saúde. Portanto, procure sempre pela opinião de um médico antes de iniciar qualquer tipo de dieta.

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