Alimentação saudável: o que o governo pode, ou deve, fazer por nós

Nessa semana ocorre a 5ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, e o Secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Arnoldo de Campos, o engenheiro agrônomo e representante da FAO - Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação no Brasil, Alan Bojanic, e o pesquisador da área de pós-colheita da Embrapa Agroindústria e Alimentos, Murilo Freire, falaram sobre a conferência e as recomendações para políticas públicas nascidas do encontro.

O desenvolvimento do Brasil nos últimos anos e o combate à fome que sempre assolou o país na maior parte de sua história, foi tratado com destaque pelo secretário Arnoldo Campos, que lembrou sobre como as ações do país se tornaram referência na questão de Segurança Alimentar.

Que cada brasileiro tenha direito a pelo menos três refeições diárias é um sonho nobre, sem dúvida, no entanto, passado o estágio crítico do combate à miséria extrema, é hora de descobrir o que o povo tem comido nessas refeições e fazer com que se alimentem melhor.

“Nós temos que mudar o hábito alimentar, aumentar a oferta de alimentos saudáveis. Temos que trazer os produtos da agricultura familiar, garantir o acesso à população e reduzir o preço dos alimentos saudáveis para que a nossa população possa reduzir os indicadores. Hoje, a principal causa de morte no Brasil é doença crônica agravada pela má alimentação”, explica Campos.

Evolução das conferências e seus temas

Campos se diz extremamente satisfeito com o grau de participação da sociedade no assunto. Nenhum país se envolve com tantos indivíduos, com tantas administrações públicas, de todas as esferas, do poder municipal ao federal, o que é uma clara demonstração de que o Brasil se importa com o que as pessoas têm colocado em seus pratos.

E os temas também demonstram a evolução da conferência com o passar dos anos.

A primeira edição da conferência foi dedicada exclusivamente ao combate à fome. Agora, em sua quinta edição, o tema é alimentação saudável, lançando um Pacto Nacional pela Alimentação Saudável.

Um pacto que visa diminuir problemas como a obesidade e o sobrepeso, que crescem a cada ano no Brasil.

Ou seja, se na 1ª Conferência Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o destaque e o desafio eram o Programa Fome Zero e a implantação do projeto no país, cujo sucesso inspirou a Organização das Nações Unidas (ONU) a criar a meta de erradicar a fome até o ano de 2030, agora o desafio é manter o povo alimentado, mas comendo bem, pois estamos comendo muito mal, a verdade é essa.

Isso traz doenças em grande escala e se revela um desafio quase tão grande quanto o de colocar um prato de comida nas mesas dos brasileiros.

Melhorar a qualidade de vida é fundamental para mudar os hábitos das pessoas. E somente com políticas públicas e programas com a participação da sociedade, este objetivo pode ser alcançado.

A ideia deste pacto é fazer algo semelhante ao que foi feito com o cigarro. O Brasil lançou uma grande campanha no combate ao cigarro e o resultado é uma nação com mais ex-fumantes do que fumantes ativos.

Outras nações

A importância do Brasil e seu poderio econômico frente a outras nações o coloca como um dos líderes mundiais capazes de ajudar países menores a saírem do mapa da fome.

É isso que pensa exatamente o representante da FAO, Alan Bojanic, lembrando do prazo da ONU para erradicação da fome e que o relógio nos dá somente 15 anos para acabar com o problema.

“Temos o grande desafio da erradicação da fome para o ano de 2030.Vamos precisar muito da cooperação do Brasil, não só em termos das experiências, das boas práticas, mas, também, cooperação efetiva em termos de cooperação financeira”.

O pesquisador da Embrapa Murilo Freire ressalta que, além do combate à fome e do incentivo à alimentação mais saudável, ainda existem muitos pontos a serem melhorados, como o manuseio inadequado no campo, uso de embalagens impróprias, transporte ineficiente, sem falar na polêmica dos agrotóxicos – esta última posta pelo escriba, e não pelo pesquisador, – entre outros.

“Essa parte de hábitos saudáveis pode ser solucionada com campanhas aos consumidores, como já vemos as de redução de sal, de gordura”, finalizou.

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Fonte foto: fotospublicas.com