Planta presente no litoral brasileiro pode substituir o sal de cozinha

Sal de planta existe? Sim. É a Sarcocornia ambigua, uma suculenta halófita do litoral brasileiro.

Essa pequena planta suculenta que cresce de forma natural em áreas litorâneas é uma halófita da família botânica das Amaranthaceae. Como halófita ela resiste ao sal do ambiente e da água. Existem várias espécies de sarcocornia no ambiente natural de várias regiões do globo e algumas já foram estudadas como substituto do sal como condimento, como alternativa ao uso do sal comum.

A sarcocornia vem sendo estudada há 5 anos pelos pesquisadores da Epagri e da Universidade Federal de Santa Catarina que buscam viabilizar sua produção em escala. Aqui você poderá aprofundar as informações técnicas deste estudo realizado pela UFSC.

O uso proposto é do extrato seco da planta, sob a forma de um pó verde, com três vezes menos cloreto de sódio que o sal comum e com atuação esperada tanto nos casos de hipertensão arterial como no combate ao acúmulo de colesterol no organismo e, segundo os pesquisadores, com a capacidade de evitar também o envelhecimento das células e até combater alguns tumores.

foto: scontent-gru1-1

Em Santa Catarina, a sarcocornia foi descoberta pela bióloga fitoterapeuta Cecília Ciprinano Osaida e pelo pesquisador da Epagri, Amaury Silva Júnior, há 10 anos, no Bairro Barra do Aririú, em Palhoça, Grande Florianópolis, em porções de terra inundável, entre o mangue e o mar.

— Sempre fazíamos expedição para coleta de material. Quando estávamos caminhando na praia, a planta chamou atenção, porque parecia um cacto, mas estava na água — relembra a fitoterapeuta.

Na região onde foi descoberta, no entanto, a sarcocornia já está praticamente extinta por conta dos aterros e destruição do ambiente natural mas, foram encontrados exemplares da mesma também em São Francisco do Sul e Rio Grande do Sul, fato indicativo da possibilidade de esta existir em vários locais da costa sul brasileira.

Segundo a bióloga, esta planta tem a qualidade de promover a redução da pressão arterial e, este é um dos principais fatores que interessam ao estudo dos pesquisadores.

O desafio da pesquisa também se orienta para a determinação da forma mais adequada para o cultivo dessa espécie de forma a poder atender ao mercado. Segundo Alexandre Visconti, pesquisador do projeto Flora Catarinense da Estação Experimental da Epagri em Itajaí, já dispõe de um projeto que prevê a produção da sarcocornia em áreas antes usadas para o cultivo de camarões.

Como dizem os pesquisadores da Sarcocornia ambigua, o nosso país é rico em plantas halófitas, que nascem em solos salinos os quais dão baixa produção de outras alimentares mas, esta suculenta, a erva de sal, pode ser usada nas alimentações humana e animal, na recuperação de áreas degradadas pela salinização, na biorremediação de áreas, como geradoras de biomassa e como fixadoras de carbono na atmosfera.

Essas são pesquisas inovadoras que, por primeira vez estão sendo feitas pelas universidades brasileiras.

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Fonte foto capa: wikimedia.org